Assunção, 1 jul (EFE).- O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, admitiu hoje a possibilidade de mudança de rumos de seu Governo, depois que seu principal aliado político, o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), se retirou da coalizão que o levou ao poder, há quase 11 meses.

"Podemos discutir nossas agendas abertamente. Podemos corrigir os rumos, mas não mudaremos nossa opção, porque isso seria trair as urnas que consagraram a opção da vontade popular, nas eleições gerais do dia 20 de abril de 2008", disse Lugo em seu discurso no Congresso.

O líder deu as declarações durante a apresentação de seu primeiro relatório de gestão depois de sua chegada à Presidência, no dia 15 de agosto de 2008, e em aparente alusão à decisão adotada na noite de ontem pelo governista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).

O diretório desse partido de centro-direita resolveu retirar o apoio à Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), ampla coalizão que levou Lugo ao Governo, embora tenha destacado que continuará cooperando ativamente com o chefe de Estado, até que a convenção convocada para o dia 2 de agosto ratifique ou rejeite a decisão.

O chefe de Gabinete da Presidência, Miguel López Perito, lembrou que o PLRA representa a principal força dentro da Aliança e que, caso sua retirada seja confirmada, "haverá um replanejamento do cenário político".

"Acho que não é um problema central. Espero que a racionalidade e a calma sejam priorizadas para poder medir as consequências e que isto não enfraqueça o Governo", afirmou o chefe de Gabinete.

Perito acrescentou que "a APC é um espaço sumamente importante, é uma caixa de ressonância das medidas governamentais, já que, através de contatos com grupos organizados, sabemos o que os cidadãos estão pensando".

A decisão do PLRA é a conclusão de uma série de conflitos com Lugo, que foram reforçados na semana passada, depois da eleição dos novos membros do Congresso, que assumiram hoje suas funções para um mandato de um ano.

Os liberais foram responsáveis por 80% dos votos conquistados por Lugo, nas eleições do ano passado, em uma aliança que integrou o vice-presidente do país, Federico Franco, líder de um dos movimentos internos do PLRA.

Franco também tem divergências com Lugo desde antes de sua chegada ao poder, já que o chefe de Estado favoreceu representantes de outros grupos internos na nomeação de seus principais assessores.

Na Câmara dos Deputados, o PLRA impôs a reeleição de Salyn Buzárquis como presidente, em aliança com o Partido União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace), segunda força da oposição e liderado pelo general reformado Lino Oviedo.

No entanto, o acordo liberal com a Unace no Senado foi frustrado com a escolha de Miguel Carrizosa, do direitista e minoritário Partido Pátria Querida (PPQ), depois de negociações de última hora entre legisladores partidários de Lugo e três liberais com o Partido Colorado.

Durante 61 anos, o Partido Colorado se manteve no poder, até que Lugo ganhou as eleições.

A APC é formada pelo Partido Democrático Progressista (PDP), o Partido País Solidário (PPS), ambos socialistas, e o movimento Popular Tekojojá, de esquerda, além de 30 organizações extraparlamentares, em sua maioria de esquerda. EFE rg/pd

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