Lucros bilionários de HSBC e Barclays reacendem debate sobre bônus

Dois dos maiores bancos com sede na Grã-Bretanha divulgaram nesta segunda-feira lucros bilionários, reacendendo o debate sobre o pagamento de bônus astronômicos a executivos em plena crise econômica mundial. Operações de investimento - que ao longo dos últimos meses foram chamadas de cassino por diversos analistas e líderes políticos, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - foram responsáveis por segurar o desempenho tanto do Barclays quanto do HSBC.

BBC Brasil |

Nos primeiros seis meses deste ano, o Barclays anunciou ter registrado um lucro líquido de 1,9 bilhão de libras esterlinas (cerca de US$ 3,2 bilhões), um resultado 10% maior que o alcançado no mesmo período do ano passado.

Mas a cifra que mais chama atenção de analistas é o ganho antes das taxas e impostos, que chegou a 2,98 bilhões de libras esterlinas (cerca de US$ 5 bilhões) , equivalente a 8% de crescimento em relação ao mesmo período de 2008.

Grande parte desse resultado foi atribuído ao braço de investimentos da instituição, o Barclays Capital, cujo lucro de 1 bilhão de libras dobrou em relação ao ano passado.

Também nesta segunda-feira, o HSBC anunciou um lucro antes de taxas de pouco mais de US$ 5 bilhões no primeiro seis meses do ano, impulsionado principalmente pelo ganho recorde de US$ 6,3 bilhões - contra US$ 2,7 bilhões há um ano - na receita gerada pelo braço de investimentos.

O resultado corresponde a metade do registrado no mesmo período de 2008 (US$ 10,2 bilhões), mas ainda assim ficou ligeiramente acima da previsão de analistas.

Os números acenderam na Grã-Bretanha o debate sobre uma possível volta dos pagamentos de bônus astronômicos a executivos do setor financeiro, enquanto a economia real sofre com a recessão.

Um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo "think tank" Centre for Economic and Business Research estimou que os prêmios a serem pagos neste ano chegarão a 4 bilhões de libras esterlinas (cerca US$ 6,7 bilhões), mais de 20% acima do que foi pago no ano passado.

Nem o Barclays nem o HSBC receberam recursos governamentais em meio aos pacotes de ajuda distribuídos no ano passado. Ainda assim o editor de economia da BBC, Robert Peston, ressaltou que o Barlcays "se beneficia de uma promessa do contribuinte de que nunca o deixaremos falir, porque o prejuízo à economia seria demasiado grande".

Um porta-voz do partido de oposição liberal democrata, Vince Cable, disse que os resultados do Barclays são uma boa notícia quando positivos, mas péssima notícia se negativos.

"Como outros bancos, o Barclays está rejeitando uma série de empresas britânicas saudáveis e cobrando altos spreads (a diferença entre o juro que o banco paga quando pede dinheiro emprestado e o que cobra quando empresta). Outro elemento é que a maior parte do dinheiro está vindo das operações de cassino. Claro, esse é um mercado muito menos competitivo com a absorção do Lehmans e o fim do Bear Sterns", afirmou.

"E o preocupante, do ponto de vista do contribuinte, é que em última instância essas operações de cassino são garantidas pelo contribuinte. Está bem quando eles ganham dinheiro. Mas quando perdem, perdem muito dinheiro e o contribuinte é quem paga a conta, como no ano passado."
O Barclays disse que o espinhoso tema dos bônus só será decidido mais para o fim do ano.

Em relação ao HSBC, o editor de economia da BBC afirmou que o banco é, dos grandes, "o que mais se aproxima de uma operação comercial propriamente dita, não tão dependente das finanças ou do seguro do contribuinte".

Em palavras cautelosas, o banco disse que "pode ser que tenhamos contornado, ou estejamos a ponto de contornar, o ponto mais baixo no ciclo dos mercados financeiros".

As atenções se voltam agora para a divulgação de outros resultados de bancos nesta semana. O Lloyds e o Royal Bank of Scotland, que foram nacionalizados durante a crise, divulgarão até a sexta-feira seus resultados relativos à primeira metade do ano.

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