Lúcio Gutiérrez quer revanche com volta ao poder no Equador

Quito, 25 abr (EFE).- O ex-presidente equatoriano Lúcio Gutiérrez, derrubado em abril de 2005 por um movimento popular do qual fazia parte o atual governante, Rafael Correa, quer revanche e recuperar o poder nas eleições gerais de amanhã no Equador.

EFE |

Gutiérrez não esquece que Correa foi integrante ativo do "movimento fugitivo", que forçou sua saída do Governo com protestos nas ruas, após as quais foi deposto pelo Parlamento, que alegou "abandono de poder".

Para ele, aquilo foi um "roubo", um "golpe de Estado da oligarquia corrupta", como disse em várias ocasiões.

Engenheiro e coronel reformado, Gutiérrez foi laureado em sua carreira militar, na qual, segundo quem o conhece, distinguiu-se por suas habilidades de comando.

Sua atual candidatura, apoiada por vários de seus companheiros de armas, tem o apoio de 15% a 17% dos eleitores.

Os inimigos políticos tacham Gutiérrez de "traidor" e "mentiroso", mas os simpatizantes veem nele um líder com coragem suficiente para corrigir seus erros.

Sobre isso, reconhece como um dos fundamentais "erros" de sua administração ter se cercado de pessoas "pouco confiáveis" que o traíram e de não ter conseguido comunicar bem suas obras ao povo.

Apesar de em 2003 ter chegado à Presidência, com o apoio da esquerda e de setores sociais, agora "flerta" com a direita.

No entanto, ele diz estar em uma "centro-esquerda pragmática e avançada", acredita ser indispensável atrair os investimentos e oferecer mais diálogo à União Europeia (UE).

Também pretende fortalecer a dolarização do país e retomar o tratado comercial com os Estados Unidos, que ficou de lado no Governo de Correa, a quem critica, dizendo que deu mais importância a mercados como o iraniano e o chinês, frente aos tradicionais parceiros do Equador, como os americanos.

Gutiérrez também reprova Correa ao afirmar que "a única coisa que faz é obedecer às ordens e aos delineamentos do presidente da Venezuela", Hugo Chávez, e seu "projeto totalitário".

"Não se deve imitar os países que estão fracassando. Correa está imitando Cuba, Bolívia, Venezuela, quando o que deveria fazer é imitar Canadá, Suécia, Holanda", ressalta.

Uma de suas promessas eleitorais é não cobrar impostos sobre a renda por 15 anos para quem investir nos setores agropecuário, turístico, elétrico e petroleiro.

Lúcio Gutiérrez nasceu em 23 de março de 1957 na cidade de Tena, capital da província amazônica de Napo, e chegou ao cenário político nacional durante a insurreição civil e militar que, em 2000, levou à derrubada do então presidente Jamil Mahuad Witt.

Nessa data, comandou um grupo de militares que ocupou o palácio do Legislativo, no centro de Quito, e proclamou um conselho de Governo provisório, junto com dirigentes indígenas O coronel rebelde foi levado à Justiça militar e ficou detido por vários meses, até que o Congresso concedeu uma anistia geral aos insurrectos.

Gutiérrez se retirou da vida militar e formou o Partido Sociedade Patriótica, que se transformou na maior força do país.

Em novembro de 2002, Gutiérrez ganhou as eleições acolhido pela esquerda e pelo movimento indígena, assumiu o cargo em janeiro de 2003 e, em pouco tempo, tomou distância de seus ex-aliados, que não lhe perdoam por ter se declarado "o melhor aliado" dos EUA.

No início de abril, diariamente as ruas de Quito se enchiam de protestos e Gutiérrez os minimizou, dizendo que eram protagonizados por alguns "foragidos".

Os protestos aumentaram e, em 20 de abril de 2005, alguns deputados do Congresso, em uma manobra política, destituíram Gutiérrez de forma irregular.

Ele conseguiu asilo no Brasil e viajou a Brasília, mas, pouco tempo depois, se mudou para os EUA, depois para a Colômbia, e, em outubro de 2005, para o Equador, onde foi preso, acusado de atentar contra o Estado.

Meses depois, foi absolvido e voltou à arena política, mas não pôde concorrer às eleições presidenciais de 2006, pois o Tribunal Supremo Eleitoral retirou dele os direitos políticos.

Embora tenha considerado que a Assembleia Constituinte promovida por Correa após sua ascensão ao poder em janeiro de 2007 era "uma oportunidade única e histórica" para concretizar mudanças no Equador, Gutiérrez não gostou do resultado, pois qualificou a nova Constituição, aprovada em plebiscito em 2008, como um "disparate".

Com esse texto, Correa pretende "apoderar-se de todos os organismos de controle do Estado" e se manter no poder de forma perene, disse à Agência Efe, em entrevista no ano passado.

Gutiérrez foi casado com Ximena Bohórquez, de quem hoje está separado e com quem teve duas filhas: Karina e Viviana Estefanía.

EFE fa/ma-an

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