Lucas Mendes: McCain nas cordas

À esquerda, na sua tela, paletó azul, gravata vermelha com listras brancas, e bandeira americana na lapela, Barak Obama. À sua direita, com terno azul (ou preto?), listrado, gravata azul com listras brancas e sem bandeira americana na lapela, John McCain.

BBC Brasil |

Alguma mensagem no guarda-roupa? Na lapela? Sua opinião é tão boa quanto a minha. Com os dois sentados à mesma mesa, a expectativa era de um corpo a corpo, sem luvas ou uma briga de faca numa cabine telefônica. Uma luta decisiva. Não aconteceu.

Foi um blá blá blá civilizado, sem sangue, nem nocautes nem golpes decisivos, às vezes, entendiantes. Um dos melhores golpes foi do senador McCain quando disse: "Eu não sou o presidente Bush. Você deveria ter debatido com ele há quatro anos". Ponto para McCain. Só ponto.

O debate é o melhor teatro da campanha política americana, mas quase todos terminam em empate, sem vitórias que definem eleições.

McCain precisava de um nocaute e saiu no ataque. Deu certo. Nos golpes econômicos, que não são o forte dele, deixou Obama na defesa e confuso nos primeiros 30 minutos. Palpite meu? Não. Há vários tipos de juízes nestes debates. Eleitores independentes, democratas e republicanos, com monitores que respondem a cada golpe com um botão. Há os comentaristas políticos, divididos entre partidários e independentes que também analisam cada resposta e os números aparecem nas telas das televisões.

A direita republicana radical esperava um ataque de McCain nas conexões esquerdistas de Obama, com o ex-terrorista Bill Ayers que bombardeou o Congresso na década de 60 e com o pastor radical Jeremiah Wright, de Chicago, mentor espiritual de Obama durante vários anos.

McCain tinha prometido atacar o flanco Ayers e atacou mas foram golpes desperdiçados. Gastou energia numa área que não machuca Obama entre democratas nem independentes, e caiu na categoria do golpe contra. A última pesquisa do Times/CBS, que coloca Obama com 14 % na frente de McCain, e outras, mostram que a campanha negativa machuca mais o atacante do que o atacado.

Os americanos perdem empregos, renda, poupanças, casas, crédito e esperança. Uma vaga e mal explicada conexão de Obama com um esquerdista não comove o eleitorado e Obama estava com a defesa pronta. Participou com Ayers na direção de uma ONG educativa de Chicago onde os outros membros eram presidentes de universidades e republicanos conservadores. Eles também eram terroristas?
Depois da vantagem dos primeiros 30 minutos o debate entrou em áreas mais complicadas, cheias de detalhes: assistência médica, educação, aborto, os candidatos a vice. Obama não bateu em Sarah Palin, nem McCain em Joe Biden.Golpes sem conseqüências.

Um personagem que vai entrar no resto da campanha é o bombeiro Joe, de Ohio, que o senador Obama citou como exemplo do seu plano de saúde. O senador McCain aproveitou a abertura e disse que o bombeiro Joe, pelo plano de Obama, vai pagar mais impostos. Sem conclusão, mas nos próximos dias, a situação econômica do bombeiro vai ser primeira página na imprensa americana.

Este fascinante teatro político americano, o debate, como em qualquer peça se resume na performance de quem está no palco e nestes 90 minutos não houve nocaute. Obama ganhou por pontos.

McCain tinha de provar que Obama é mais fraco do que ele e não está pronto para ser presidente dos Estados Unidos. Fracassou. Obama, no palco, é tão presidencial quanto ele.

As últimas pesquisas nos Estados cruciais são devastadoras para o republicano. McCain está nas cordas. Ainda tem alguma chance? Mínima, mas ainda faltam 19 dias para a eleição, estamos no meio da pior crise econômica do nosso tempo, Osama Bin Laden está vivo, ativo e os republicanos, desesperados. Este é o maior perigo.

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