Lucas Mendes: Bo e a bola

Barack Obama esta semana avançou por mais dois flancos: pelo canino, armado com o irresistível Bo, o primeiro-cão e melhor amigo do presidente. Noutro, com nosso futebol.

BBC Brasil |

Neste país da paixão pelo cão, ver o presidente correndo com o bicho na Casa Branca comove e ajuda nas pesquisas, mas os donos e amantes da raça do cão d'água português estão preocupados com o futuro de suas valorizadas crias.

Raças que viraram moda promovidas por celebridades ou pelo cinema, como pastores alemães, collies, chiuauas e outros sofreram degenerescências. Obama, que se declara um vira latas, preferia um bicho misturado como ele, mas não resistiu à pressão do senador Kennedy, apaixonado pelos vivos - e inteligentes - cães portugueses.

E Obama quer a bola da Copa de 2016. Numa carta ao presidente da FIFA, ele fala sobre os 4 anos de paixão pelo nosso futebol, dos 7 aos 10, quando morava na Indonésia. Crianças de todas as classes, religiões e etnias se igualavam nas peladas diárias.

Aqui, já político em Illinois e senador em Washington, "levava e incentivava as filhas nos jogos da escola", escreveu Obama ao suíço, pedindo a Copa. Para quem quer ser um presidente tão popular quanto o Lula, porque não aderir e promover o esporte mais popular do mundo?
Com ou sem Barack Obama, o futebol desta vez, na terceira tentativa nos últimos 40 anos, é capaz de vingar nos Estados Unidos. Veja o caso de Seattle, uma cidade de 600 mil habitantes que nem tinha um time no ano passado e é famosa por outras virtudes: líder em leitura no país, campeã de diplomas universitários entre habitantes com mais de 25 anos (52%), conhecida como Cidade Esmeralda, pelo verde, Cidade Chuva (quase diária), Porta do Alaska, Cidade Jato ( sede da Boeing ), campeã disparada no consumo de café e berço de três dos melhores "cafeteiros" do pais - Starbucks, Seattle Best Coffee e Tully's.

"Seattle é uma cidade alternativa e o futebol nos Estados Unidos ainda é um esporte alternativo", sacou um sociólogo local numa entrevista ao New York Times. Não temos uma explicação definitiva para o misterioso sucesso do futebol na cidade da chuva, dos jatos e do verde, mas, vamos aos fatos.

No primeiro jogo da temporada de 2009, há um mês, o estádio, que normalmente comporta 28 mil torcedores, foi adaptado para receber 32 mil. A gritaria, o entusiasmo e a fantasia dos fãs do Seattle Sounders surpreenderam os empregados do estádio, que também abriga um time de futebol americano, o Seahawks. Os 22 mil ingressos colocados à venda para toda a temporada já foram vendidos. O presidente da Liga America chorou de emoção e a cidade vai sediar a final de 2009.

O cachecol verde faz parte do uniforme dos torcedores e é impossível evitar a presença da Microsoft. Paul Allen, co-fundador da empresa, é um dos donos do time que joga com o logo XBOX360 nas camisas. O estádio chama-se Qwest Field. Time cabeça.

Nenhuma promoção, nem grana da Microsoft, provocaria tanto entusiasmo se o Sounders jogasse mal. Venceu os dois primeiros jogos sem levar um gol e melou no terceiro por uma vacilada do goleiro.

A grande estrela do Sounders, o novo David Beckam dos Estados Unidos, é o sueco Freddie Ljungberg, ex -modelo de cuecas Calvin Klein, garoto propaganda da Nike, Procter & Gamble, L'Oreal, Puma, Pepsi, escalado para seleções de Homem Mais Sexy do Mundo, Homem mais Bem Vestido do Mundo e outras seleções muito bem pagas. Ele fica à vontade de cuecas nas fotos ou de calção nas pontas e no meio do campo.

Atleta com talentos precoces, foi grande jogador de hóquei e convidado para a seleção sueca de handebol. Escolheu o futebol e seu ídolo era o nosso Sócrates. Freddie, como o doutor, foi homem quase bem educado. Estudou economia e tecnologia da informação, mas não terminou nenhum dos dois cursos. O apelo - e a grana - do futebol foram mais fortes. Além do Halmstad BK, na Suécia, ele foi estrela do Arsenal e do West Ham, na Inglaterra.

Em mais um semana de recessão e pirataria, tivemos duas boas notícias na Casa Branca: o cão d'água português e o futebol. Bola pra frente.

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