Lucas Mendes: 4 de novembro, 11 da noite - The End

Para quem chega a qualquer grande cidade americana o choque é a falta de ação e dos sinais da campanha mais emocionante e histórica das últimas décadas. Nas ruas de Nova York, nem McCain, nem Obama.

BBC Brasil |

Em Los Angeles, nada. Nem nas cidades do sul não há pôsteres, outdoors, bandeiras ou carros com alto-falantes.

A campanha está nas entranhas das cidades pequenas e nos subúrbios dos seis ou sete Estados cruciais e naqueles onde os candidatos estão empatados. Quatro milhões de voluntários se mobilizaram para levar os eleitores para as urnas.

Você vê grupos de duas ou três pessoas batendo de porta em porta em um último esforço de convencer indecisos ou reforçar a intenção dos partidários.

Harry Newton, um judeu milionário que vendeu sua editora por US$ 153 milhões, saiu hoje de Nova York para Scranton, na Pensilvânia, onde vai get out the vote for Obama, levar os eleitores para as urnas.

Ele, de origem australiana, e a mulher, americana católica, nunca tinham se envolvido numa campanha política. Fazem parte deste movimento anti-Bush, anti-republicano e pró-Obama. Um Katrina eleitoral.

McCain também tem seu exército de voluntários, mas Barack Obama, o organizador comunitário com experiência da luta de quarteirão em quarteirão, aplicou seu talento e seus milhões em escala nacional.

A vitória de Obama parece inevitável, mas partidários de McCain acham que estão cada vez mais perto do democrata e vêem possibilidade de vitórias em pelo menos dois de quatro Estados onde Obama lidera: Iowa, Novo México, Colorado, Nevada.

Ontem, McCain fez comícios em sete Estados, um deles à meia-noite. Ele luta para defender Estados onde os republicanos ganharam nas duas últimas eleições. Obama joga no ataque em Estados onde republicanos ganharam nas últimas eleições.

Como acompanhar a noite que vai parar o país, talvez o mundo?
Amanhã, às 19h00 em Nova York, 22h00 no Brasil, as urnas vão fechar em seis Estados e dois deles com certeza irão para McCain: Kentucky e Carolina do Sul. Vermont irá para Obama, que lidera na Virgínia e está empatado em Indiana. Bush ganhou nos dois Estados em 2004.

Se Obama ganhar na Virgínia, McCain entra em sufoco. Se perder em Indiana ou mesmo se ganhar por pequena margem, pode chamar a ambulância.

Às 19h30, o drama engrossa com o fim da votação em Ohio e Carolina do Norte, dois Estados que elegeram Bush. Se a votação em Ohio for apertada, não vamos ver números definitivos por dias, talvez semanas. Advogados de ambos os partidos vão entrar com recursos legais para bloquear os resultados.

Obama despejou dinheiro em Ohio e na Carolina do Norte e espera pelo menos uma vitória. Se perder nos dois Estados, será um sinal que o republicano tem vida. Se Obama ganhar num deles será uma parada cardíaca para McCain.

Às 20h00, 15 Estados e a capital fecham suas urnas e três deles podem decidir a eleição: Flórida, onde as pesquisas dão empate; no Missouri, onde McCain lidera por menos de 1 ponto e na Pensilvânia, onde Obama liderava por mais do que 10 pontos e agora tem menos de sete na frente, com 5% de indecisos.

McCain investiu mais tempo e dinheiro na Pensilvânia do que em qualquer outro Estado no final da campanha. Foi 34 vezes a Pittsburg. Se perder na Pensilvânia, será hora de chamar o padre para a extrema unção.

Aqui fazemos uma pausa. Os resultados até agora são de boca-de-urna. Vamos vê-los na internet. Os números oficiais ainda não foram anunciados e os votos estão sendo contados.

Nas redes de televisão a palavra de ordem é cautela. Todas têm medo de repetir o erro de 2000, quando anunciaram a vitória de Al Gore na Flórida. Este ano as redes vão seguir regras mais estritas sobre projeções e só vão anunciar resultados quando a possibilidade de erro for menor do que uma em 200 e depois que urnas estiverem fechadas nos Estados.

Às 21h00, hora de Nova York, meia-noite no Brasil, mais 15 Estados encerram suas votações, entre eles dois cruciais, Colorado e Novo México. Os Estados da costa leste vão começar a anunciar resultados.

Nevada fecha às 22h00. Se tudo estiver embolado, pode ser um Estado decisivo.

Às 23h00 da noite terminam as eleições da costa oeste, com seus 77 votos no colégio eleitoral e Obama vai levar a Califórnia, Washington, Oregon e Havaí, mas aí já teremos resultados de Pensilvânia, Iowa, Novo México e Colorado. Se Obama ganhar nos quatro, como apontam as pesquisas, será o novo presidente dos Estados Unidos.

Este quadro parece, e é, complicado, mas vamos arriscar. Se Obama ganhar na Pensilvânia e McCain perder qualquer um dos Estados onde os republicanos ganharam em 2004, a campanha de McCain pode chamar o médico para o atestado de óbito.

Obama já pode cantar vitória? Pelas pesquisas, ainda não. A distância entre os dois está cada vez menor, com o voto dos brancos indecisos que favorecem o candidato republicano.

Pelas pesquisas, às 21h00 da noite de Nova York vamos ter quase certeza de quem será o próximo presidente. Às 23h00, será Barack Obama.

PS - Mão à palmatória. Na coluna de segunda-feira escrevi que o eleitor com uma sacola de papel na cabeça - o eleitor paper bag - é o republicano que vai votar em Obama. Uma distração. Ele é o republicano que tem vergonha de contar nas pesquisas que vai votar em McCain.

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