Londres se diz disposto a negociar, mas não sobre soberania das Malvinas

Londres, 23 fev (EFE).- O Governo do Reino Unido se declarou hoje disposto a reabrir negociações com a Argentina, mas não sobre a soberania das ilhas Malvinas (ilhas Falkland) e nem sobre o exploração de hidrocarbonetos nas águas do arquipélago.

EFE |

Foi o que disse em declarações à Agência Efe o secretário de Estado do Reino Unido para Europa e América Latinae, Chris Bryant, ao lembrar que "nós negociamos com os argentinos durante anos até 2007, quando eles deixaram aas negociações".

"Estamos dispostos a negociar, mas não vamos negociar a soberania sobre as ilhas, porque, como disseram todos meus antecessores e qualquer político britânico diria, não tenho nenhuma dúvida de nossa soberania sobre as Falkland", afirmou Bryant.

O secretário lembrou que ambos os Governos negociaram sobre "hidrocarbonetos em outras partes do Atlântico, salvo nas águas das Falkland, e até agora não entendi a razão pela qual (os argentinos) abandonaram essas negociações".

Bryant defendeu o direito de autodeterminação e disse crer que "todos os países da América Latina podem decidir que tipo de Governo querem".

"Também acredito nisso para o Governo das Falkland, que devem poder decidir por si próprios se querem ser britânicos ou qualquer outra coisa, e eu sei que eles querem continuar sendo britânicos", acrescentou.

Perguntado sobre as declarações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, quando disse à rainha Elizabeth II em seu programa de rádio que "os impérios já acabaram", o político britânico se negou a manter uma "luta retórica com meu companheiro Chávez".

"Diria somente uma coisa a ele: que fala muito do direito latino-americano de autodeterminação e que o resto do mundo, especialmente Estados Unidos e Reino Unido, não deveriam dizer como seguir seu futuro, mas eu lhe diria o mesmo no assunto das Malvinas, porque acredito na autodeterminação", afirmou.

Bryant rejeitou o argumento de que a composição da população das Malvinas seja estranha à região.

"De onde veio a população de Buenos Aires? Vieram da Espanha, da Itália, de muitos outros países, até britânicos. Eu sou galês, não sou inglês, mas vivo dentro do Reino Unido. A metade dos galeses foi de ingleses, irlandeses ou escoceses, e em alguns casos italianos também. A meu ver, isso não me parece um argumento com muito peso", disse o secretário de Estado.

Bryant se mostrou disposto a negociar com a Argentina no que diz respeito ao eventual impacto ambiental da exploração de hidrocarbonetos no Atlântico Sul, mas "não na parte que recai sob a soberania das ilhas, porque isso corresponde ao Governo das ilhas".

"Não é o Governo britânico que quer explorar hidrocarbonetos que podem existir sob o mar nessa região, é o Governo das ilhas Falkland", argumentou.

O secretário britânico tentou minimizar a atual polêmica. Quando perguntando sobre as informações de que a Argentina está negociando com outros países latino-americanos e caribenhos, incluindo os da Comunidade Britânica (Commonwealth), uma declaração em defesa dos "legítimos direitos da Argentina" sobre o arquipélago, disse que "não é algo que me preocupa".

"Para mim, o mais importante é que Reino Unido e Argentina são países aliados em outros muitos assuntos. Eu não temo que haja grandes problemas entre nossos países. Trabalhamos muito sobre a crise financeira como membros do Grupo dos Vinte (G20) e agora trabalhamos juntos sobre a não proliferação nuclear. Sempre seremos países aliados", disse Bryant.

Prosseguindo com o tom conciliador, o britânico apontou que "não há ninguém que queira voltar aos anos 80", em alusão à guerra entre os dois países pelas Malvinas em 1982, e descartou que a situação possa piorar pelo lado britânico. EFE jr-fpb/bba

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