Londres reivindica leito marinho em torno das Malvinas

Por Adrian Croft LONDRES (Reuters) - O governo britânico reivindicou na segunda-feira um amplo trecho de leito marinho em torno das ilhas Malvinas, o que deve gerar disputas com a Argentina pelo domínio dos recursos energéticos da região.

Reuters |

Os dois países travaram em 1982 uma guerra pelo controle das ilhas, chamadas pelos vencedores britânicos de Falklands.

A Grã-Bretanha apresentou à Comissão da ONU sobre Limites da Plataforma Continental uma reivindicação que abrange uma extensa área em torno das Malvinas e das ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.

De acordo com Lindsay Parson, do Centro Nacional de Oceanografia, responsável pelo pedido, a área reivindicada é de 1,2 milhão de quilômetros quadrados.

A Argentina apresentou no mês passado à comissão da ONU uma solicitação da mesma área. Londres tinha até o dia 13 para apresentar a sua reivindicação.

Pela Convenção da Lei do Mar, um tratado da ONU, os países costeiros podem explorar os recursos naturais da sua plataforma continental numa faixa de até 200 milhas náuticas da costa, podendo sob certas circunstâncias ampliar o limite a 350 milhas.

Uma autoridade da chancelaria britânica disse que, quando há reivindicações conflitantes, a comissão da ONU tende a arquivar o assunto até que os governos resolvam a disputa.

"Estamos essencialmente colocando esta reivindicação como uma salvaguarda para o futuro", disse uma fonte que pediu anonimato.

O jornal Guardian citou em janeiro pesquisas sísmicas segundo as quais pode haver cerca de 18 bilhões de barris de petróleo na região das Malvinas, e disse que algumas empresas pretendem iniciar a prospecção no ano que vem.

A Grã-Bretanha retomou o controle sobre as Malvinas numa guerra em 1982, depois que a região foi ocupada por forças argentinas. Cerca de 649 argentinos e 255 britânicos morreram no conflito.

Em março, Londres rejeitou um pedido argentino para rediscutir a posse das ilhas.

Ao todo, a comissão da ONU avalia 40 reivindicações de países que desejam ampliar seu limite de exploração do leito marinho, e dezenas a mais devem aparecer.

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