Londres põe em dúvida visita à Líbia após recebimento dado à terrorista

Londres, 21 ago (EFE).- A recepção triunfal oferecida em Trípoli ao terrorista líbio Abdelbaset Ali Mohmed Al-Megrahi fez com que o Governo britânico reconsiderasse a visita do príncipe Andrew ao país, informou a BBC.

EFE |

A visita do príncipe Andrew, um dos filhos da Raínha Elizabeth II e quarto na linha de sucessão ao trono britânico, estava programada para o começo de setembro mas provavelmente será cancelada, informou hoje a emissora.

Segundo mais informações que surgiram hoje, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, teria escrito ao chefe do Estado líbio, o ditador Muammar al-Khadafi, pedindo que a Líbia atue "com sensibilidade" quando Al-Megrahi, único acusado pelo atentado de Lockerbie (Escócia), retornasse ao país após sua libertação por motivos humanitários.

Al-Megrahi, que sofre de câncer de próstata em fase terminal, é o único condenado pelo atentado de 1988 contra um avião Boeing da companhia americana Pan Am que sobrevoava a Escócia em seu trajeto de Frankfurt a Nova York, atentado terrorista que matou 270 pessoas.

O ministro britânico de Assuntos Exteriores, David Miliband, também criticou hoje, em declarações à "BBC", o espetáculo "profundamente penoso e inquietante" de "um assassino de massas ao que se dá as boas-vindas como a um herói em Trípoli".

A visita à Líbia do príncipe Andrew, representante especial do Reino Unido para o comércio e investimentos, que não tinha sido anunciada publicamente, ia ser sua terceira ao país.

O ano passado, o filho de Elizabeth II se reuniu com o coronel Khadafi, tendo antes se reunido com vários ministros líbios.

O Reino Unido conseguiu assinar grandes contratos com a Líbia, particularmente no setor da energia desde que o país saiu do isolamento internacional.

Três companhias britânicas, Shell, BP e BG, assinaram acordos para desenvolver na Líbia projetos relacionados com a exploração de gás e petróleo.

Antes da libertação do terrorista, deputados do comitê parlamentar de direitos humanos acusaram o Governo britânico de haver pactuado com Trípoli uma eventual mudança a esse país de Al-Megrahi com a assinatura, em novembro de 2008, de um acordo bilateral de transferência de prisioneiros.

Ao anunciar na quinta-feira a libertação do terrorista, o ministro escocês de Justiça, Kerry MacAskill, disse que tinha tomado essa decisão de forma autônoma e por razões humanitárias já que os médicos deram apenas mais três meses de vida à Al-Megrahi.

MacAskill reclamou que o Governo do Reino Unido não tivesse consultado ao escocês ao assinar esse acordo com Trípoli nem sobre suas conversas com Washington sobre o caso e deixou bem claro que tinha tomado sua decisão de libertar ao réu só por "compaixão" e não em virtude de um acordo ao que Edimburgo tinha se oposto. EFE jr/fk

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG