O governo britânico negou energicamente neste domingo as acusações de cumplicidade em casos de tortura depois que uma comissão parlamentar advertiu que uso de informações obtidas mediante esta prática por países aliados pode valer às autoridades a acusação de violação dos direitos humanos.

Os ministros britânico do Interior, Alan Johnson, e das Relações Exteriores, David Miliband, expressaram sua rejeição à prática da tortura, apesar de admitirem que é impossível garantir sistematicamente que as informações obtidas pelos serviços de inteligência estrangeiro não foram obtidas mediante esse recurso.

"O Reino Unido se opõe energicamente à tortura, aos maus-tratos ou castigos desumanos ou degradantes", indicaram os dois ministros em um artigo conjunto publicado pelo Sunday Telegraph. Mas enfatizaram: para garantir a segurança dos britânicos "há decisões e escolhas difíceis a fazer".

"Quando os detidos estão sob custódia de nossa polícia ou de nossas forças armadas, podemos estar seguros sobre a forma que serão tratados. Por definição, não podemos ter o mesmo grau de segurança quando estão detidos por governos estrangeiros, cujas obrigações podem diferir das nossas", acrescentaram Johnson e Miliband.

"Devemos trabalhar duro para nos assegurarmos de que não somos cúmplices da tortura ou dos maus-tratos", insistiram.

Em seu informe anual publicado neste domingo, o Comitê de Relações Exteriores (FAC) britânico advertiu ao governo de Gordon Brown que o uso frequente de informação obtida mediante tortura pode ser considerado legalmente como cumplicidade na violação de direitos humanos.

"É imperativo que a Grã-Bretanha cumpra com suas obrigações legais para prevenir a tortura, investigar as possíveis acusações e desmascará-las", assinala o FAC.

O informe acontece num momento em que os serviços secretos britânicos enfrentam acusações por sua suposta participação em interrogatórios de suspeitos de terrorismo em países como o Paquistão.

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