Londres não tem provas de envolvimento do Irã em sequestros no Iraque

Londres, 31 dez (EFE).- O Governo do Reino Unido afirmou hoje não ter provas que envolvam o Irã no sequestro de cinco cidadãos britânicos no Iraque, um dos quais foi libertado na quarta-feira após dois anos e meio de cativeiro.

EFE |

Segundo diversos veículos de imprensa britânicos, os sequestrados foram levados para o Irã logo depois de terem sido capturados na sede do Ministério das Finanças e Tecnologia do Iraque, em Bagdá, em maio de 2007.

Um porta-voz do Foreign Office britânico declarou que "não temos evidências de que os reféns britânicos estiveram no Irã. Não estamos em situação de dizer com segurança onde estiveram durante cada um dos dias de seus dois anos e meio de cativeiro", acrescentou.

O Foreign Office não quis confirmar se Roger Moore, libertado na última quarta-feira, está em contato com a Embaixada do Reino Unido em Bagdá para preparar seu retorno imediato à terra natal e quer que sua volta atraia poucas atenções.

Moore foi sequestrado junto a quatro guarda-costas. Os corpos de três deles apareceram no ano passado e o Governo britânico crê que o quarto também foi assassinado.

O gabinete do Governo do Reino Unido informou que o primeiro-ministro, Gordon Brown, falou hoje por telefone com seu colega iraquiano, Nouri al-Maliki, para agradecer pelos esforços para a libertação de Moore.

O jornal "The Guardian" assegurou que Sami al-Askari, um assessor do primeiro-ministro iraquiano, viajou para a cidade iraniana de Qom em diversas ocasiões para se reunir com o líder dos sequestradores.

Entrevistado pela "BBC", Askari disse que não tinha viajado para o Irã para negociar, mas reconheceu ter se envolvido nas conversas para solucionar o sequestro.

O xeque Khassim Al Saidi, dirigente da milícia xiita Asaib al-Haq, acusada dos sequestros, também negou que Moore foi levado ao Irã após o sequestro.

"Não ficou retido no Irã e pode perguntar ao refém, que sabia onde estava", disse Saidi, que também assegurou que o primeiro-ministro iraquiano prometeu à milíícia a libertação de seu líder, Qais Al Khazali.

Khazali, acusado de participar de um ataque em Karbala em 2007 que custou a vida de cinco soldados dos EUA, foi entregue pelas autoridades americanas às Forças de Segurança iraquianas ao mesmo tempo em que Moore era libertado, o que despertou especulações sobre uma troca de prisioneiros.

O Foreign Office também negou esta possibilidade e declarou que se trata de casos "completamente separados".

Segundo a imprensa britânica, Moore foi sequestrado porque estava no Iraque para instalar equipamentos de informática destinados a rastrear o uso dos fundos para a reconstrução do Iraque que poderiam demonstrar que parte do dinheiro dos EUA e dos aliados terminava nas mãos dos grupos insurgentes apoiados pelo Irã. EFE fpb/bba

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