Londres estuda anular cidadania britânica de suposta espiã

A "femme fatale" Anna Chapman, que virou notícia em todo o mundo, foi casada com um britânico e morou na Grã-Bretanha

EFE |

O Ministério do Interior da Grã-Bretanha disse nesta sexta-feira que "considera com urgência" se anula ou não a cidadania britânica da suposta espiã russa Anna Chapman , que foi casada com um britânico e morou no país.

O advogado de Chapman, que faz parte do grupo de dez espiões que os EUA entregaram nesta sexta-feira à Rússia em Viena em troca de outros quatro agentes, assegura que a jovem de 28 anos deseja ir à Grã-Bretanha, uma vez que tem dupla nacionalidade desde seu casamento com Alex Chapman , de quem adotou o sobrenome.

Em um breve comunicado, o Ministério do Interior assinalou que "a ministra do Interior tem o direito de retirar a nacionalidade britânica das pessoas com dupla nacionalidade se avaliar que fazê-lo representaria um bem comum", e acrescentou que "esse caso está sendo considerado com urgência".

Segundo a imprensa britânica, Anna se mudou para Londres em 2002, quando se casou com Alex Chapman após um romance de cinco meses, e teve vários empregos, entre eles no banco Barclays.

Depois criou sua própria agência imobiliária pela internet e retornou à Rússia em 2006, após o fracasso de seu casamento. Um ano depois ela teria se mudado para os EUA, onde também montou uma agência de venda de propriedades através da web.

Espiã "detestável"

O ex-marido de Anna contou a transformação em quatro anos de sua ex-mulher em uma pessoa "arrogante e detestável". O psiquiatra Alex Chapman, de 30 anos, explicou ao jornal britânico "The Daily Telegraph" que conheceu sua ex-mulher em uma festa em Londres em 2001. Naquela época, ela se chamava Anna Kushchenko e tinha 19 anos, dois a menos que ele. Cinco meses depois se casaram em Moscou.

Segundo ele, Anna, inicialmente despreocupada e nada materialista, transformou-se em alguns anos em uma pessoa "arrogante e detestável" que frequentava círculos influentes. O casal divorciou-se em 2006, mas manteve o contato.

A jovem trabalhou em Londres durante vários anos. "Não acredito que trabalhava como espiã na capital britânica, mas creio que estava preparada para esse fim", disse o ex-marido. A atraente mulher, apresentada como uma "femme fatale" por causa de seus cabelos ruivos e olhos verdes, tem sido notícia em jornais em todo o mundo .

Chapman disse que não lhe surpreenderam as acusações contra a ex-mulher, porque ela lhe falou de seu pai, Vasily Kushchenko. "Anna me disse que seu pai ocupou um alto cargo na hierarquia da KGB . Disse que tinha sido um agente na 'velha Rússia'", destacou Chapman. "Seu pai controlava tudo em sua vida, e senti que ela faria qualquer coisa por ele."

"Quando vi que tinha sido presa por espionagem, não foi uma grande surpresa, para ser franco", completou, dizendo que na quarta-feira recebeu a visita de agentes do MI5 - o serviço secreto britânico - em sua residência de Bournemouth (sul da Inglaterra).

O Ministério das Relações Exteriores britânico afirmou que tinha uma investigação em curso sobre os vínculos de Anna Chapman com a Grã-Bretanha.

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