Londres e Washington acreditaram até o fim que o Xá do Irã ficaria no poder

A Grã-Bretanha e os Estados Unidos acreditaram até a véspera da Revolução Islâmica em Teerã que o Xá iraniano conseguiria se manter no poder, segundo documentos secretos de 1978 a serem desarquivados nesta terça-feira.

AFP |

Até as últimas semanas de 1978, os líderes britânicos e americanos acreditavam que o Xá Mohammad Reza Pahlevi continuaria a comandar o país apesar da violência, das manifestações e da influência crescente do aiatolá Ruhollah Khomeini.

O Xá partiu para o exílio em janeiro de 1979. Pouco tempo depois, o aiatolá Khomeini se tornou o líder supremo de uma república islâmica cujo nascimento foi um dos eventos marcantes da história do século XX no Oriente Médio.

"O regime não está verdadeiramente em perigo. É como um carro atolado na areia. É difícil prever como vai conseguir sair e seguir caminho", escreveu em maio de 1978 o então embaixador britânico em Teerã, Sir Anthony Parsons.

Em setembro de 1978, um dirigente americano considerava provável que o Xá superaria estes problemas. "Não é de seu feitio jogar a toalha", afirmou então este dirigente, segundo documentos confidenciais dos Arquivos Nacionais Britânicos.

Em 10 de maio daquele ano, Parsons enviou mensagem ao ministério britânico das Relações Exteriores, na qual destacou não acreditar na existência de um risco sério de ver o Xá derrubado, e menosprezou a influência dos líderes religiosos iranianos.

"As instituições religiosas islâmicas como tais não têm interesse em derrubar Pahlevi", chegou a afirmar a embaixada britânica no dia 29 de agosto de 1978.

Em 8 de setembro, Parsons e seu colega americano, Peter Jay, enviaram uma mensagem a Londres ressaltando que os Estados Unidos não acreditavam na derrubada do Xá.

No dia 5 de novembro daquele ano, o edifício da embaixada britânica em Teerã foi danificado por manifestantes. Quinze dias depois, Parsons considerou que "há poucos motivos para ser otimista".

Em 2 de dezembro, em uma carta enviada ao então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, o primeiro-ministro britânico da época, James Callaghan, considerou "impossível" dizer se o Xá conseguiria se manter no poder.

Cinco dias depois, em Londres, Parsons considerou essa possibilidade "cada vez mais difícil".

Em 31 de dezembro de 1978, a Grã-Bretanha finalmente recomendou a seus cidadãos que deixassem o Irã. O Xá abandonou o país duas semanas depois.

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