Londres e Edimburgo rebatem críticas após libertação de Megrahi

Edimburgo rejeitou as críticas feitas pelo FBI neste sábado, após a libertação pela Escócia de Abdelbaset al Megrahi, condenado pelo atentado de Lockerbie, enquanto o governo Londres é pressionado para esclarecer seu papel no episódio.

AFP |

Em uma carta ao secretário da Justiça da Escócia Kenny MacAskill, publicada na manhã deste sábado, o director do FBI Robert Mueller denuncia a decisão de libertar Megrahi.

O governo escocês respondeu que, se as libertações por compaixão são estranhas para os Estados Unidos, na Escócia são uma etapa normal do sistema judicial.

Enquanto isso, o governo britânico se viu obrigado a esclarecer sua participação no assunto, enquanto negava acusações líbias de ter motivações comerciais por trás da libertação de Megrahi.

Mueller, que em 1991 era secretário adjunto do departamento de Justiça e coordenou a investigação de Megrahi, declarou estar "escandalizado com a decisão, defendida com desenvoltura sob o pretexto da compaixão". A carta, que tem data de sexta-feira, foi divulgada no site da polícia federal americana.

Um porta-voz do governo escocês indicou que a libertação do único condenado pela explosão de um Boeing 747 da companhia americana Pan Am quando voava sobre Lockerbie, na Escócia, que matou 270 pessoas em 1988 - a maioria, americanos -, aconteceu dentro de uma série de procedimentos normais.

De acordo com o porta-voz, o secretário de Justiça chegou a suas conclusões baseando-se nas leis internas e nas recomendações do chefe da prisão e de autoridades encarregadas da concessão de liberdade condicional a prisioneiros.

"A libertação por motivos humanitários não faz parte da justiça dos Estados Unidos, mas sim da Escócia", destacou.

"MacAskill não poderia ter feito mais consultas. Falou com as famílias americanas (das vítimas do atentado), com o procurador geral, com a secretária de Estado (Hillary) Clinton e com muitos outros", afirmou.

"Megrahi foi devolvido à Líbia para morrer como um homem condenado", concluiu.

O governo autônomo da Escócia pode tomar decisões judiciais independentemente de Londres, mas não quando o assunto diz respeito às relações exteriores.

rjm-gj/ap

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