Londres e Dublin quer que escândalo sexual favoreça a paz na Irlanda do Norte

Os governos britânicos e irlandês pediram nesta terça-feira aos dirigentes da Irlanda do Norte que aproveitem o escândalo que obrigou o primeiro-ministro local a abandonar temporariamente seu cargo para redobrar seus esforços visando a desbloquear as negociações de paz.

AFP |

O chefe do governo biconfessional norte-irlandês, o protestante Peter Robinson, anunciou que passará seis semanas afastado do cargo, enquanto a polícia investiga o escândalo provocado por uma relação extraconjugal de sua mulher, conforme anunciou na segunda-feira o presidente da Assembleia norte-irlandesa.

William Hay indicou que a atual ministra de Empresas, Arlene Foster, foi chamada para substituir Robinson durante sua ausência.

Pouco antes do inesperado anúncio, membros do partido de Robinson, o protestante DUP, haviam dado um voto de confiança ao primeiro-ministro norte-irlandês, pressionado a renunciar na semana passada depois que sua mulher, que é deputada, foi acusada de malversação de fundos públicos em benefício de seu amante adolescente.

Robinson, líder do Partido Unionista Democrático (DUP), assinalou que prosseguiria com as negociações com seus sócios católicos do Sinn Fein sobre a transferência dos poderes da polícia e da justiça de Londres a Belfast, algo que bloqueia há meses as negociações de paz.

O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, e o chefe da diplomacia irlandesa, Micheal Martin, estimaram que a crise pode, paradoxalmente, ajudar a desbloquear o diálogo.

Vários comentaristas, no entanto, temem que o escândalo leve a uma nova paralisia das instituições norte-irlandesas, que os protestantes e católicos compartilham desde os históricos acordos de paz de 1998.

Segundo matéria do programa "Spotlight" na semana passada, Iris Robinson, de 60 anos - que é deputada - conseguiu convencer dois ricos promotores a investir uma grande soma de dinheiro para ajudar seu amante, hoje com 21 anos, a montar um restaurante em 2008.

Naquela época, Iris era membro da comissão que aprovou este investimento, mas não revelou a relação que mantinha com o beneficiário do dinheiro, de acordo com a BBC.

Além disso, programa dá a entender que seu marido, quando soube do assunto, preferiu não revelar nada às autoridades competentes.

Apesar de reconhecer que sua mulher confessou o caso amoroso no início de 2009, Peter Robinson disse ignorar os compromissos financeiros firmados em favor do jovem.

A sra. Robinson, que já tentou se suicidar em março de 2009, se encontra atualmente em tratamento psiquiátrico.

Seu ex-amante, em compensação, virou astro na internet e um ícone da comunidade homossexual, que busca vingar-se através dele das declarações homófobas proferidas pela deputada.

em-ra/cn

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