Londres abre inquérito sobre a guerra no Iraque que matou 179 britânicos

O inquérito sobre a participação britânica na guerra do Iraque começou formalmente nesta quinta-feira com o anúncio de que o ex-primeiro-ministro Tony Blair, que envolveu o país no conflito, será chamado para depor; 179 soldados britânicos foram mortos desde o começo das operações.

AFP |

O responsável máximo pela investigação, Sir John Chilcot, confirmou que Blair, que apoiou a invasão do Iraque decidida pelo ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, vai figurar entre as testemunhas que vão depor ante a comissão investigadora.

Chilcot prometeu que a comissão, com conclusões a serem publicadas no mais tardar no final de 2010, não hesitará em mostrar-se crítica, e anunciou que viajará pessoalmente ao Iraque e aos Estados Unidos para se reunir com dirigentes políticos de ambos países.

"A investigação não é um tribunal e ninguém está sendo julgado. Mas quero que fique bem claro que a comissão não renunciará a seu direito de crítica", afirmou.

"Se descobrirmos que foram cometidos erros, diremos abertamente".

O primeiro-ministro Gordon Brown havia anunciado em junho passado a abertura de uma investigação independente para estudar uma das páginas mais controvertidas da história recente do país.

Blair se declarou disposto a cooperar plenamente, mas a impopularidade do conflito foi um dos motivos primordiais de sua partida, em 2007.

A enquete vai se centralizar num período que vai de 2001 aos dias de hoje. A quase totalidade dos soldados britânicos chegou a deixar o solo iraquiano nos últimos meses.

Chilcot reafirmou que as audiências serão públicas, o mais frequentemente possível, e até disponíveis na internet. Mas por motivos de segurança nacional, alguns depoimentos seriam a portas fechadas.

A organização "Stop The War Coalition" considerou, no entanto, que este sistema permitiria esconder a verdade ao público. "A população britânica tem o direito de saber como e quando foi tomada a decisão de entrar em guerra, mas depoimentos importantes serão dados a portas fechadas e ninguém prestará juramento", destacou a coalizão, dizendo-se "quase certa" de que Blair vai depor a portas fechadas.

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