Lojas de Londres lançam cestas de Natal luxuosas e ignoram a crise

O desemprego aumenta, o poder aquisitivo diminui, empresas vão à falência, mas em Londres as cestas de Natal ainda mantêm a tradição de luxo: a mais cara acaba de bater um recorde, com um preço anunciado de quase 30.000 euros.

AFP |

Uma garrafa de Veuve Clicquot Ponsardin 1990, outra de château Margaux 1997, um quilo de foie gras, dois quilos de caviar...A cesta de Natal "Snow Queen" (Rainha da Neve) é um verdadeiro desafio à crise: avaliada em 25.000 libras (30.000 euros), ela é superior ao salário anual do trabalhador britânico médio.

É bem verdade que a modéstia nunca foi o ponto forte da loja Fortnum & Mason, a primeira a comercializar uma cesta de Natal tão cara. Localizada na prestigiosa avenida Picadilly, em Londres, a Fortnum ostenta um luxo capaz de fazer passar sua maior concorrente, Harrods, por uma sucursal da Lojas Americanas.

Geléia de pétalas de rosas, marmelada de conhaque, e garrafas de whisky 30 anos transbordam de cestas expostas sob pinheiros rutilantes, dourados ou prateados. Casais de alto poder aquisitivo fazem fila diante das mesas de madeira polida onde vendedores de terno anotam os pedidos.

"É Natal, apesar de tudo", afirmou um homem de cerca de 60 anos, surpreso ao ser perguntado sobre se a crise afetou seu orçamento de alguma forma. Ele saiu da loja reclamando, não do preço, mas do peso de sua cesta.

"O alvo da cesta 'Snow Queen' é uma clientela chique", afirmou Kimberley Power, uma porta-voz da F&M, recusando-se a revelar quantas cestas de 25.000 libras foram vendidas.

A cesta de Natal mais cara da Harrods, a principal concorrente da Fortnum, custa 5.000 libras.

Power lembrou que foi sua empresa que inventou o "Christmas Hamper", uma instituição na Grã-Bretanha. Fundada em 1705, a F&M anunciava nos jornais da época cestas de Natal carregadas de mel e frutas secas que eram enviadas aos combatentes britânicos. A loja se gaba de ter participado da vitória dos ingleses sobre as tropas de Napoleão, em 1815, em Waterloo.

A Fortnum não é a única a ignorar solenemente a crise econômica e financeira mundial. A Harvey Nichols também aumentou o preço de sua cesta mais cara, que custa agora 2.500 libras (3.000 euros). "A recessão nunca teve um gosto tão bom", garante a Harvey em seu slogan natalino.

A Selfridges, a grande loja de moda da Oxford Street, também apostou no luxo para espantar o fantasma da depressão. A loja lançou uma nova cesta de 1.000 libras concebida por Anya Hindmarch, a famosa acessorista responsável pelo lançamento da bolsa utilizável várias vezes "I'm not a plastic bag" (Não sou um saco plástico). A nova 'Cesta Hindmarch' contém cerca de 40 esmaltes de unhas, uma garrafa de champanhe, chocolate, marshmellows e um Ipod nano.

"As pessoas continuam querendo luxo, mesmo durante uma recessão", resumiu à AFP Paul Buckley, psicólogo do consumo na universidade de Cardiff, no País de Gales.

A questão é saber se as grandes lojas ganharão sua aposta, já que nenhuma delas aceita divulgar números. No entanto, Buckley sustentou que às vezes a idéia não é nem vender muito. "Muitas lojas nem lançam estas cestas luxuosas com o intuito de vendê-las. A Selfridges expôs uma muito cara no ano passado, e ninguém comprou", afirmou.

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