Advogado formado em Harvard toma posse como primeiro-ministro do governo do Tibete no exílio

O advogado Lobsang Sangay, 43 anos, tomou posse nesta segunda-feira como o novo primeiro-ministro do governo do Tibete no exílio, substituindo o dalai-lama como líder político tibetano. A cerimônia aconteceu em Dharamsala, no norte da Índia, e reuniu centenas de pessoas, incluindo o próprio dalai-lama.

Lobsang Sangay é abençoado pelo dalai lama durante sua posse como novo primeiro-ministro do governo do Tibete no exílio
AP
Lobsang Sangay é abençoado pelo dalai lama durante sua posse como novo primeiro-ministro do governo do Tibete no exílio

Sangay será o terceiro "kalon tripa" (primeiro-ministro) do governo tibetano no exílio, que tem sua sede em Dharamsala, na qual o dalai-lama se refugiou após o fracasso da revolta tibetana contra a China em 1959.

"É nosso dever assegurar o retorno do dalai lama ao Tibete. Reuniremos nosso povo e restauraremos a liberdade no Tibete", afirmou Sangay em discurso em inglês após fazer o juramento como premiê.

Sangay, que estudou na Universidade de Harvard, nos EUA, foi eleito em março, após o dalai lama renunciar ao cargo de líder político dos tibetanos, mantendo-se apenas como guia espiritual.

Lobsang Sangay nasceu na Índia e é especialista em legislação. Seu pai deixou o Tibete em 1959, no mesmo ano que o dalai lama, e ele mesmo nunca visitou o país. Enquanto o dalai-lama tem uma profunda influência sobre os tibetanos, Sangay é pouco conhecido fora de algumas alas da comunidade tibetana no exílio. Ele manifesta apoio à política do dalai lama de buscar uma "autonomia significativa" para o Tibete sob o controle da China, mas o fato de ter integrado o Congresso da Juventude Tibetana provoca especulações de que poderia seguir uma agenda mais radical.

O novo primeiro-ministro teve 55% dos votos e derrotou outros dois candidatos, Tenzin Tethong, ex-representante do dalai lama nos Estados Unidos, e Tashi Wangdi, membro do governo do país.

A eleição do novo representando político tibetano teve a participação de cidadãos exilados de todo o mundo. Segundo Jamal Thosang, cerca de 83 mil exilados do Tibete puderam votar e 49 mil votos foram contabilizados.

Com BBC, AFP e EFE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.