Lobo pede reconciliação ao tomar posse em Honduras

José Luis Paniagua. Tegucigalpa, 27 jan (EFE).- O agroempresário Porfirio Lobo, diante de poucos representantes internacionais de alto nível, assumiu hoje a Presidência de Honduras com apelos em prol da reconciliação nacional e internacional.

EFE |

Com apenas dois presidentes latino-americanos em sua posse, o panamenho Ricardo Martinelli e o dominicano Leonel Fernández, Lobo optou por abordar a crise política no país, deflagrada pela derrubada de Manuel Zelaya do poder, como algo praticamente superado.

"Acabamos de sair da pior crise política de nossa história democrática, mas (...) conseguimos evitar todos os grandes riscos que nossa nação enfrentava", declarou na cerimônia, que durou cerca de seis horas e também foi acompanhada pelo presidente taiuanês, Ma Ying-jeou.

"Estamos prontos e dispostos a enfrentar o futuro unidos", ressaltou Lobo, eleito em 29 de novembro em um pleito não reconhecido pela maior parte da comunidade internacional.

Durante a posse, que contou ainda com a presença de 20 delegações estrangeiras e membros do corpo diplomático credenciado em Honduras, o chefe de Estado afirmou que deseja "uma necessária e indispensável reconciliação com a comunidade internacional".

Porém, o primeiro ato de Lobo como governante foi sancionar o decreto aprovado ontem à noite pelo Congresso Nacional, que dá anistia política aos envolvidos na crise causada pelo golpe de Estado contra Zelaya, em junho passado.

Enquanto discursava, o chefe de Estado pediu ao presidente do Congresso, Juan Orlando Hernández, que levasse até ele o decreto de ontem e, em seguida, sancionou-o, dizendo que a anistia concedida representa o "princípio da reconciliação" e "o perdão do Estado para que nos perdoemos".

Entre vaias, ele ainda agradeceu ao chefe de Estado da Costa Rica, Óscar Arias, "por ter se interessado desde o princípio por uma solução justa e pacífica" para a crise hondurenha, e a Leonel Fernández, pela assinatura do acordo que facilitou a saída de Zelaya do país Em outro momento do discurso, Lobo disse ter "certeza de que, muito em breve, se permitirá nossa pronta incorporação" na Organização dos Estados Americanos (OEA), órgão do qual Honduras foi suspenso após o golpe de Estado e que também foi vaiado.

Em seguida, reafirmou seu compromisso com o Acordo de Tegucigalpa-San José, assinado entre os representantes do presidente deposto e do ex-governante de facto Roberto Micheletti, e anunciou a instalação de uma Comissão da Verdade, já que "é justo" que todos saibam o que ocorreu antes, durante e depois da derrubada de Zelaya.

"A família hondurenha começa a se reconciliar. Hoje, o país marcha pelo caminho do entendimento na busca da união nacional.

Superamos os desacordos, deixamos o passado para trás e só olhamos para frente, para um horizonte brilhante e promissor", destacou, enquanto milhares de pessoas se mobilizavam em outra região de Tegucigalpa para de despedir de Zelaya.

Lobo também lembrou que recebe o país na situação econômica "mais difícil" de sua história, com "uma imensa e quase não administrável dívida externa (US$ 3,5 bilhões), com uma dívida interna absurda" e com o lastro de ter deixado de receber mais US$ 2 bilhões de órgãos financeiros desde junho passado.

Sobre o Governo, o presidente afirmou que vai fundamentar sua Administração na "economia social de mercado" e que buscará atrair investimentos estrangeiros com "regras claras" e "grandes facilidades e incentivos".

Outra promessa de Lobo foi investir na educação, na saúde pública, em programas sociais, no turismo e na agricultura.

"Não é possível avançar rumo ao futuro sem curar primeiro as feridas do passado. Também não se pode pedir a um povo que dê a vida pela democracia se ele tem fome", concluiu o novo presidente. EFE jlp/sc

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