Lobo assume poder em Honduras com pouca presença internacional

Tegucigalpa - O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, assume amanhã o poder com pouca presença internacional devido ao isolamento sofrido por seu país após o golpe de Estado que derrubou Manuel Zelaya a sete meses do final de seu mandato.

EFE |

Segundo fontes ligadas a Lobo, até agora, apenas quatro presidentes e um vice-presidente confirmaram sua presença na posse do novo governante hondurenho.

São eles os presidentes da Guatemala, Álvaro Colom; do Panamá, Ricardo Martinelli; da República Dominicana, Leonel Fernández; de Taiwan, Ma Ying-jeou; e o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos.

A ausência de governantes à posse de Lobo contrasta com o que aconteceu na de Zelaya, que foi empossado em 2006 na presença dos presidentes dos demais países da América Central, assim como os da Colômbia e México; do príncipe espanhol Felipe de Borbón; e de 46 delegações de todo o mundo.

Por causa do golpe que derrubou Zelaya em 28 de junho de 2009, Honduras ficou isolado da comunidade internacional que, além de exigir a restituição do governante, suspendeu parte da ajuda econômica para o país e, de forma geral, não reconheceu as eleições gerais de 29 de novembro que deram a vitória a Lobo.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) suspendeu Honduras do Sistema Interamericano em 4 de julho e não enviou observadores às eleições, que ocorreram sem incidentes, apesar das ameaças de boicote por parte da Frente Nacional de Resistência Popular contra o Golpe de Estado.

No entanto, países como Canadá, Costa Rica, Colômbia, Estados Unidos, Panamá e Peru reconheceram o pleito, o oitavo desde que Honduras retornou ao regime constitucional, em 1980, após quase duas décadas de Governos militares.

Lobo, líder do Partido Nacional, venceu a Presidência em uma segunda tentativa depois de perder no pleito de 2005 para Zelaya, do Partido Liberal. O futuro presidente considera que Honduras não pode continuar isolado, e por isso anunciou uma ofensiva diplomática para fazer com que a situação se normalize.

A ofensiva começará "no dia em que assumir", reiterou Lobo na semana passada em declarações a jornalistas em Tegucigalpa, após voltar da República Dominicana, onde se reuniu com o presidente desse país, Leonel Fernández.

Lobo e Fernández assinaram em Santo Domingo um acordo para que Zelaya possa sair de Honduras e viajar para República Dominicana com um salvo-conduto, medida que o presidente deposto agradeceu e considerou como "um bom gesto" do próximo presidente hondurenho.

Zelaya viajará junto com alguns familiares e colaboradores mais próximos na próxima quarta-feira para a República Dominicana no mesmo avião em que Fernández voltará da posse de Lobo, informou o assessor e porta-voz do governante derrubado, Rasel Tomé.

Lobo indicou que a visita que fez a Fernández também inscreve-se em sua iniciativa diplomática para conseguir a reconciliação em Honduras, país que vive em meio a uma polarização social desde o golpe de Estado.

Internamente, a Frente Nacional de Resistência Popular contra o Golpe de Estado também não reconhece as eleições que deram o triunfo a Lobo e rejeita o regime de fato presidido por Roberto Micheletti desde a queda de Zelaya.

O secretário-geral da frente, Juan Barahona, considera que o Governo de Lobo será ilegítimo porque sua eleição se deu dentro do golpe de Estado e que, por isso, seria sua continuação.

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