Lizcano, o político colombiano que mais tempo passou em poder das Farc

BOGOTÁ - Após passar por mais de 100 acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sofrer de todo tipo de doenças tropicais que quase o mataram e depois de oito anos de cativeiro, o ex-congressista Óscar Tulio Lizcano é o político que mais tempo permaneceu seqüestrado na Colômbia.

EFE |

As enxaquecas o acompanharam durante todo seu tempo de cativeiro e muitas vezes, como narrou nas provas de vida que enviou a seus familiares, não tinha remédios para resolver seus problemas de saúde.

Lizcano, ex-congressista pelo Partido Conservador (PCC), foi o primeiro político que as Farc tomaram como refém, em 5 de agosto de 2000, em uma zona rural do município de Riosucio, departamento de Caldas, com a finalidade de trocá-lo por homens da guerrilha presos. Este ex-professor universitário de Manizales, no centro-oeste do país, tinha 54 anos quando foi seqüestrado enquanto inaugurava um campo de futebol em Riosucio, e completou 62 anos há seis meses.

Ao longo de seu cativeiro, enviou seis provas de vida à sua família, nas quais sempre seu estado de saúde era a principal preocupação que expressava. A seu drama e doença se uniu a tristeza quando, em 2006, seu filho Juan Carlos também foi seqüestrado por 84 dias, por um pequeno grupo guerrilheiro que o Exército colombiano desmantelou pouco tempo depois.

Passou a maior parte de seu cativeiro na solidão na selva do departamento de Chocó, no noroeste, de onde há três dias escapou com o chefe do grupo das Farc que o vigiava em busca de forças da ordem para se entregar.

Após uma longa caminhada em condições de saúde deploráveis, por volta das 8h (11h em Brasília) Lizcano e o homem conhecido como "Isaza", de 28 anos e chefe guerrilheiro que o vigiou durante os últimos anos, encontraram hoje tropas do Exército.

Com medo da forte pressão feita Exército há vários meses em torno deles, Isaza decidiu escapar com o refém para se entregar às autoridades.

Lizcano apareceu hoje perante a imprensa abatido, barbudo e se comunicando com dificuldade, pois os guerrilheiros o proibiam de falar e, por isso, estava perdendo essa faculdade, explicou.

Por isso, reconheceu "incoerências" no breve discurso que concedeu aos jornalistas na cidade de Cali, onde foi imediatamente internado em um centro médico.

Lizcano chegou ali pelas mãos do ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que o ajudou a caminhar por causa da dificuldade que mostrou em seus movimentos devido à longa caminhada de três dias e as conseqüências de seu longo cativeiro em condições subumanas, segundo reconheceu.

As Farc ainda têm em seu poder 28 pessoas que esperam trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos. Entre seus reféns, estão o ex-governador do departamento de Meta Alan Jara e o ex-deputado do departamento de Valle del Cauca Sigifredo López.

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