Lixívia mata bactérias agregando seus componentes, diz estudo

Redação Internacional, 13 nov (EFE).- A lixívia mata as bactérias porque faz com que seus componentes se agreguem, do mesmo modo que faz o calor, descobriu um grupo de pesquisadores americanos.

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Embora a lixívia seja utilizada há mais de 200 anos, ninguém até agora sabia os detalhes da ação antimicrobiana de seu componente ativo, o hipoclorito, que ataca as proteínas que são essenciais para o crescimento da bactéria e a mata.

A descoberta, publicada na revista "Cell", foi feita pela equipe dirigida por Ursula Jakob, professora associada na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, que declarou que os pesquisadores chegaram a essa conclusão por acaso, como "ocorre freqüentemente na ciência".

No laboratório, a equipe estava trabalhando com uma proteína, a Hsp33, que algumas bactérias fabricam quando a temperatura a seu redor sobe muito.

Em uma situação assim, as proteínas se desdobram - perdem sua estrutura -, deixam de ser solúveis e têm que se unir umas às outras, formando grandes agregados que normalmente causam a sua morte.

Para as bactérias e todas as células é quase impossível se desfazer desses agregados, por isso que elas contam com umas proteínas especializadas (a Hsp33 é uma delas) que se agarram às que perderam sua estrutura evitando que estas se agreguem, explica Jakob à Agência Efe.

Os pesquisadores se deram conta de que a lixívia, do mesmo modo que faz calor, propicia a formação de agregados. Nessas condições, a Hsp33, que normalmente está inativa, também se desdobra parcialmente, mas é precisamente nesse momento que ela pode começar a trabalhar.

Com esse desdobramento, a Hsp33 deixa as regiões com as quais vai poder se unir às proteínas que perderam sua estrutura descobertas.

O resultado da pesquisa, segundo seus autores, não é importante apenas para compreender a eficácia da lixívia contra os micróbios - de fato, nosso organismo também produz pequenas quantidades de hipoclorito para se defender dos ataques microbianos -, mas porque revela novas maneiras para combater as infecções bacterianas. EFE amc/ab/jp

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