Livro sugere que morte de irmão mais velho mudou Bin Laden

Por Mike Collett-White LONDRES (Reuters) - Um livro lançado recentemente tenta analisar a personalidade de Osama bin Laden pelo prisma da família dele, sugerindo que a morte de seu extrovertido irmão Salem em 1988 num acidente de avião teria sido um fator importante para a radicalização do líder da rede Al Qaeda.

Reuters |

O livro 'Os Bin Laden', do vencedor do Prêmio Pulitzer Steve Coll, acompanha a ascensão ao poder dessa família na sociedade saudita ao longo do século 20, e como seu destino, e o de Osama em particular, relaciona-se intimamente com aquele da família real.

Ao descrever a vida de Osama relacionando-a com a de seus 53 irmãos e irmãs, todos bastante viajados, e com as reviravoltas ocorridas na Arábia Saudita, Coll tenta afastar alguns dos mitos que cercam o homem frequentemente apontado no Ocidente como uma encarnação do mal.

Osama tinha cerca de 9 anos de idade quando seu pai morreu em um acidente de avião, em 1967. Enquanto realizava seus estudos islâmicos na escola, o menino encontrou novas figuras paternas em mentores radicais responsáveis por apresentar-lhe a idéia da 'jihad transnacional.' Salem, um meio-irmão mais velho, era uma figura bastante diferente: um playboy que assumiu os negócios da família e conquistou a realeza saudita com seu charme pueril.

A recompensa veio na forma de contratos na área da construção civil dentro do país árabe e uma fortuna familiar crucial, futuramente, para que Osama arquitetasse os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Salem continuou a ser uma figura influente para Osama e o clã Bin Laden ao longo de toda a sua vida.

A morte dele em 1988, em um acidente de avião, deixou a dinastia sem rumo e contribuiu para aprofundar as desavenças de Osama com sua família e com as autoridades sauditas, argumenta Coll.

Salem, um piloto hábil, morreu no momento em que a ocupação soviética do Afeganistão perdia força, encorajando o futuro líder da Al Qaeda a aderir à luta armada.

'Encontrei vários amigos de Salem que, sem vacilar, disseram que, se ele estivesse vivo, o 11 de setembro nunca teria ocorrido', afirmou Coll à Reuters.

Osama começou a entrar em choque com a realeza saudita e, após exilar-se no Sudão, tornou mais radicais suas críticas. Os irmãos dele, aos quais faltava o carisma de Salem, não conseguiram controlá-lo e acabaram por repudiá-lo.

Segundo Coll, o sucesso de Osama em construir sua rede de militantes deveu-se parcialmente a sua capacidade de atrair pessoas de várias nacionalidades e movimentos.

Osama também aderiu sem pestanejar às novas tecnologias, usando telefones via satélite para coordenar suas atividades na mesma época em que sua família investia em uma pioneira joint-venture desse tipo de telefonia.

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