Livro sobre libertação de Betancourt diz que EUA participaram da operação

Bogotá, 28 set (EFE).- O primeiro livro sobre o resgate da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, três americanos e outros 11 ex-reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) revela que militares dos Estados Unidos participaram ativamente da operação, publica hoje a imprensa local.

EFE |

"Operação Xeque: Segredos não Revelados" reúne investigações jornalísticas realizadas por repórteres do jornal "The New York Times" e do diário "The Washington Post", entre outros.

Segundo essas investigações, cerca de 900 militares americanos estiveram na Colômbia participando ativamente da operação.

"Os EUA desempenharam um papel maior nos antecedentes do resgate de 15 reféns na selva da Colômbia" do que foi reconhecido, incluindo a mobilização "de mais de 900 soldados militares americanos" no início do ano, "empenhados em localizar os reféns", diz uma parte do livro publicada pela revista "Semana".

O Governo colombiano e as Forças Armadas negaram em várias ocasiões que os EUA tenham participado da operação de resgate, realizada em 2 de julho, em uma região da selva no departamento de Guaviare (sul).

O livro afirma que cerca de 40 desses 900 militares eram membros das forças especiais americanas e estiveram no começo do ano na selva de Guaviare tentando o resgate por conta própria.

"Este grupo tinha sido treinado para resgatar pessoas" na selva e logo depois, "junto a um contingente de colombianos", começou a busca "pelos guerrilheiros", diz uma parte do texto.

A partir daquele momento, o Governo dos EUA enviou "centenas de soldados, médicos, mecânicos, engenheiros e especialistas em telecomunicações à Colômbia".

Os soldados americanos na Colômbia chegaram a ser cerca de 900 ou mil, ultrapassando o limite permitido pelas leis dos dois países, dizem os autores do livro.

No entanto, a estratégia sofreu um golpe quando o chefe guerrilheiro encarregado de vigiar os reféns, Gerardo Antonio Aguilar, conhecido como "Gafas" (Óculos), encontrou um artefato de rastreamento que os especialistas americanos deixaram perto do acampamento rebelde e decidiu mudar os seqüestrados de lugar, segundo o livro.

Além disso, os militares americanos, com apoio de soldados colombianos, colocaram mini-câmeras de vídeo nos rios próximos, as únicas vias de transporte na selva, e aviões sobrevoavam constantemente a zona para interceptar as conversas por rádio e telefone via satélite dos guerrilheiros.

A partir disso, foi tomada a decisão de confiar na operação planejada pelas Forças Militares da Colômbia para enganar os guerrilheiros, que consistia em se fazer passar por uma ONG que transferiria os reféns para outro acampamento das Farc.

Na operação, tiveram o apoio de especialistas de Israel e dos dados que os americanos obtiveram com os aparatos deixados na região onde estavam os guerrilheiros. EFE fer/ab/an

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