Livro diz que João Paulo II quis renunciar ao pontificado

Cidade do Vaticano, 26 jan (EFE).- João Paulo II assinou em 1989 uma carta na qual expressava sua vontade de renunciar ao pontificado caso sofresse de uma doença incurável que o impedisse de exercer a atividade e ratificou a decisão em 1994, diz um livro do principal defensor de sua canonização, o sacerdote polonês Slawomir Oder.

EFE |

Oder escreveu junto com o jornalista italiano Saverio Gaeta o livro "Perché è santo" ("Porque é santo", em tradução livre), no qual também afirma que João Paulo II se autoflagelava.

A obra começará a ser vendida amanhã e teve trechos antecipados hoje pela revista "Famiglia Cristiana".

Em 1994, quando estava prestes a fazer 75 anos - idade na qual bispos e cardeais são obrigados a apresentar sua demissão ao pontífice - João Paulo II se questionou se deveria aplicar essa norma ao seu caso e fez consultas a responsáveis da Secretária de Estado e aos colaboradores e amigos mais íntimos.

Um deles foi o atual papa e então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger.

No final, João Paulo II, que sofria de mal de Parkinson, decidiu "colocar-se nas mãos da Providência", conta Oder.

Segundo Oder, João Paulo II disse ao médico Gianfranco Fineschi em 1994, quando o operava de uma fratura no fêmur, que ambos tinham apenas uma escolha: "Você deve me curar e eu tenho que ficar curado, já que não há posto na Igreja para um papa emérito (aposentado)".

Já em seu testamento, aberto em 7 de abril de 2005, cinco dias após sua morte, João Paulo II deu a entender que pensou na possibilidade de renunciar ao Pontificado após o jubileu de 2000,com a Igreja Católica conduzida ao terceiro milênio.

Segundo outros veículos de imprensa que tiveram acesso a "Perché è Santo", Oder também diz que João Paulo II costumava se autoflagelar.

Durante a Quaresma, por exemplo, comia apenas uma vez ao dia. Em certas ocasiões, dormia no chão, uma conduta que já tinha desde sua época de arcebispo da Cracóvia, segundo Oder.

De acordo com Oder, o papa tinha em seu apartamento do Vaticano um cinto que usava para se autoflagelar e que levava consigo sempre que visitava a residência de verão de Castelgandolfo.

Oder também revela que o grupo terrorista Brigadas Vermelhas tentou sequestrar João Paulo II antes do ataque armado cometido em 13 de maio de 1981 pelo terrorista turco Ali Agca na Praça de São Pedro.

Em 19 de dezembro de 2009, o papa Bento XVI proclamou João Paulo II como "venerável", primeiro passo rumo à santidade do pontífice polonês.

A assinatura do decreto não representa a imediata beatificação de Karol Wojtyla, já que ainda falta a aprovação de Bento XVI do milagre que levará à proclamação de seu antecessor como beato.

A aprovação desse milagre pode acontecer em 17 de outubro deste ano, coincidindo com a data na qual foi eleito pontífice em 1978.

EFE JL/bba JL/bba

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