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Livro de ministro que relata sexo com jovens garotos causa polêmica na França

O ministro francês da Cultura, Frédéric Mitterrand, está sendo acusado pela oposição de fazer apologia do turismo sexual por causa de um livro de sua autoria, lançado em 2005, no qual relata ter tido relações sexuais pagas com jovens garotos durante suas viagens à Ásia.

BBC Brasil |

Para tentar pôr fim às acusações contra ele e aos pedidos para que renuncie ao cargo, Mitterrand, que é homossexual declarado, dará uma entrevista ao vivo na televisão na noite desta quinta-feira ao canal TF1.

"Todo esse ritual de feira de belos adolescentes, de mercado de escravos, me excita muito. A luz é feia, a música é irritante, os shows são sinistros e poderíamos julgar que tal espetáculo, abominável do ponto de vista moral, também é de uma vulgaridade repugnante. Mas ele me agrada além do razoável", diz o autor no livro ao descrever casas de prostituição masculina em Bangcoc, na Tailândia.

"A profusão de jovens garotos muito atraentes e imediatamente disponíveis me deixa em um estado de desejo que não tenho mais necessidade de me controlar ou esconder. O dinheiro e o sexo, estou no coração do sistema, que funciona porque sei que enfim não serei recusado", escreve Mitterrand.

A grande polêmica em relação ao ministro da Cultura surgiu após ele ter defendido a liberação imediata do cineasta Roman Polanski, detido na Suíça por ato de pedofilia cometido nos Estados Unidos há 32 anos.

Estudantes

Ele se refere no livro a "garotos", sem indicar explicitamente se seriam menores de idade, embora diga ter descoberto que a maioria deles era estudante. Mitterrand também usa o termo "gosse", que em francês quer dizer criança e pode ser usado para jovens adolescentes.

Em 2005, quando o livro foi lançado, Mitterrand já havia se explicado sobre o assunto, negando ter tido relações sexuais com menores. Na época, ele explicou chamar todos os homens de "garotos" e fazer uma distinção entre "garotinhos" e "garotos".

O ministro declarou achar "uma vergonha ser arrastado na lama" e afirmou também achar "lamentável que a esquerda francesa se una à posição da extrema-direita".

A polêmica em torno do livro ganhou força por causa do papel desempenhado por Mitterand após a prisão do cineasta Roman Polanski na Suíça em setembro. Mitterrand foi um dos primeiros políticos de peso na França a defender publicamente a libertação imediata do cineasta, detido por um mandado de prisão emitido há 31 anos nos Estados Unidos, onde foi indicado por delitos sexuais, entre eles pedofilia.

'A Má Vida'

No início da semana, Marine Le Pen, vice-presidente do partido de extrema direita Front National, citou, durante um programa de debates na TV francesa sobre crimes sexuais, trechos do livro La Mauvaise Vie ("A Má Vida", em tradução literal), escrito por Mitterrand em 2005, provocando um silêncio consternador entre os entrevistados.

A campanha contra o ministro, lançada pela extrema-direita, ganhou também o apoio da esquerda francesa, após inúmeras críticas feitas por representantes do partido socialista em relação às declarações no livro.

O porta-voz dos socialistas, Benoît Hamon, afirmou na quarta-feira achar "chocante que um homem possa, sob a proteção de uma obra literária, justificar o turismo sexual".

Hamon disse ainda que cabe agora ao presidente Nicolas Sarkozy ou ao primeiro-ministro, François Fillon, decidir se Mitterrand deve permanecer no cargo.

Pedido de demissão

Vários políticos socialistas também estão pedindo a demissão do ministro da Cultura, alegando que não é possível manter no cargo uma pessoa que supostamente cometeria atos que o governo tenta reprimir com leis mais severas.

Sobrinho do ex-presidente socialista François Mitterrand, o ministro da Cultura, que esteve sempre mais ligado aos partidos conservadores, assumiu o cargo em junho passado, após um remanejamento no governo.

Nesta quinta-feira, vários políticos do partido UMP, do presidente Sarkozy, e ministros do governo assumiram a defesa de Mitterrand.

Henri Guaino, conselheiro especial do presidente Sarkozy, afirmou que "há exageros" e que a polêmica que envolve Mitterrand "é indigna".

Questionado pela imprensa francesa sobre a possibilidade do ministro deixar o cargo, o conselheiro de Sarkozy afirmou "não ver onde está o problema e nem porque o governo deveria tomar medidas radicais por causa de uma polêmica tão patética como esta, com tanto atraso".

O ministro do Interior, Brice Hortefeux, afirmou desconhecer a existência livro, lançado em 2005. Ele disse também não saber se Mitterrand teria praticado turismo sexual e declarou que faria investigações a respeito.

"Observo simplesmente que hoje, como ministro da Cultura, ele é reconhecido e respeitado por sua competência", disse.

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