Livni recomendará a Peres a antecipação de eleições, segundo a imprensa

Jerusalém, 26 out (EFE).- A presidente do partido Kadima e titular israelense de Exteriores, Tzipi Livni, recomendará hoje ao chefe do Estado, Shimon Peres, a antecipação de eleições, após fracassar em sua tentativa de formar uma coalizão de Governo estável.

EFE |

"Não tenho intenções de continuar sendo chantageada, tanto diplomaticamente como no que se refere ao orçamento, e por isso irei a eleições antecipadas", declarou Livni ao jornal ""Ha'aretz"".

As titulares dos meios de imprensa israelenses informam hoje que a ministra jogou a toalha na hora de continuar negociando a formação de um Executivo, enquanto os principais editoriais se perguntam se se pode falar de fracasso de Livni, ou pelo contrário, se se trata de uma tentativa de manter perante o eleitorado sua imagem de "política irrepreensível", tendo em vista os próximos pleitos.

Livni teme ver prejudicada sua imagem se continuar negociando e cede perante as exigências de partidos como o ortodoxo sefardita Shas, que abandonou as negociações na sexta-feira passada por divergências insolúveis sobre o pacto de Governo.

O Partido do Judaísmo Unido da Torá uniu-se ontem à noite ao Shas ao anunciar que também não tinha intenções de integrar uma coalizão de Governo liderada por Livni, o que terminou de sentenciar o fim das negociações.

Os ultra-ortodoxos tinham fixado em mais de US$ 1 bilhão de shekels (cerca de US$ 261 milhões) as ajudas do próximo Governo às famílias numerosas, um número que o Kadima não estava disposto a pagar pelo apoio do Shas.

A candidata à chefia do Governo tinha anunciado que este domingo decidiria se continuava as conversas para a consolidação de uma coalizão ou pedia a convocação de eleições.

O deputado do Kadima Tzachi Hanegbi, argumentou a decisão de Livni ao assinalar que "não está disposta a pagar qualquer preço para formar Governo", informou hoje a rádio pública israelense.

Esta decisão significa que as eleições gerais poderiam ser celebradas em Israel entre fevereiro ou março, dois anos antes do previsto.

Livni informou de suas intenções ao chefe do Partido Trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak, assim como ao líder do partido pacifista Meretz, Haim Oron, com o qual continuava negociando.

Também comunicou a presidente do Parlamento israelense (Knesset), Dalia Itzik, e espera-se que esta tarde se comunique oficialmente Peres.

Até este sábado Livni só tinha conseguido o apoio do Partido Trabalhista, com 19 parlamentares, e se encontrava a uma distância prudente, mas salvável, dos Aposentados, com 7, embora com estes últimos ainda não tinha assinado o acordo.

O Shas era fundamental para alcançar a maioria no Parlamento, mas sua retirada da mesa de negociações truncou as possibilidades, por enquanto, de que Israel volte a ter uma mulher à frente de seu Executivo.

A lei israelense estabelece que o chefe do Estado pode pedir a outros deputados a formação do Governo, embora na atual constelação política de pequenos partidos não parece que nenhum deles tenha possibilidades reais de sucesso.

Livni foi eleita no mês passado como chefe do partido Kadima, em substituição do primeiro-ministro, Ehud Olmert, açodado por vários escândalos de corrupção. EFE db/ma

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