Livni recomenda a Peres antecipar eleições gerais em Israel

Alberto Masegosa.

EFE |

Jerusalém, 26 out (EFE) - A ministra de Assuntos Exteriores e candidata à Chefia de Governo israelense, Tzipi Livni, recomendou hoje ao presidente de Israel, Shimon Peres, a antecipação das eleições gerais por causa da impossibilidade de formar um novo Executivo.

Livni comunicou de sua decisão a Peres em um encontro dos dois na residência do chefe de Estado israelense em Jerusalém, depois de fracassar a última tentativa de mediação da presidente do Parlamento israelense (Knesset), Dalia Itzik, para renovar a atual coalizão de Governo.

Na reunião, exibida ao vivo pela televisão local, Livni afirmou que fez "todo o possível" para integrar um novo Executivo, mas advertiu de que "chegar a um acordo não é questão de tempo, mas de princípios e ideais".

"Se achasse possível (conseguir um acordo), teria esgotado o prazo de tempo", afirmou, ao dizer que ainda tem pela frente uma semana para tentar formar o Governo.

"Não estou disposta a hipotecar a estabilidade da economia e a aspiração a outro tipo de política", ressaltou.

Livni se referiu, assim, às exigências do partido ultra-ortodoxo Shas de fornecer mais ajudar às famílias grandes - o grosso de seu eleitorado -, e de não negociar o status de Jerusalém, em cuja parte oriental os palestinos exigem estabelecer a capital de seu Estado.

A rejeição dessas condições foi a razão pela qual os ultra-ortodoxos descartaram a formação de um novo Gabinete, ao não se somarem à coalizão que a ministra de Assuntos Exteriores tinha colocado junto a seu partido, o Kadima, e os trabalhistas.

A realização de eleições antecipadas - presumivelmente em fevereiro ou março - está agora nas mãos do presidente de Israel, que tem três dias de prazo para fazer consultas sobre a decisão com os 13 partidos com representação na Knesset.

Caso não encontre entre esses partidos um líder que assuma a tarefa de formar um Governo - algo bem provável -, Peres convocará eleições, o que abriria um compasso de espera no cenário político israelense e na negociação com os palestinos.

Segundo as últimas pesquisas, o centrista Kadima, de Livni, e o conservador Likud, de Benjamin Netanyahu, partem como os partidos favoritos para vencer o pleito antecipado, com uma muito estreita margem entre ambos que poderia decidir o futuro do processo de paz.

De acordo com uma pesquisa publicada pelo jornal "Ha'aretz" antes de a renúncia do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, desencadear a atual situação, o Kadima obteria 26 assentos na Knesset, contra 25 do Likud.

Já outras previsões de voto dão vantagem ao partido de Netanyahu, que, ao contrário de Livni, favorável ao compromisso, se opõe às concessões territoriais, decisivas para encerrar o conflito entre palestinos e israelenses.

A fragmentação do panorama político em Israel e a fidelidade dos eleitorados dos partidos minoritários também não permitem descartar que o vencedor do pleito enfrentará as mesmas dificuldades que Livni para formar o novo Governo.

O certo é que a atual conjuntura política israelense impedirá o cumprimento do prazo fixado no final de 2007 na Conferência de Annapolis (Estados Unidos) de alcançar, até o final deste ano, um acordo que leve à criação de um Estado palestino independente.

No melhor dos casos, e após seis décadas de conflito, os esforços para tornar realidade esse propósito prosseguirão pelo próximo ano.

Os esforços e o bom entendimento dos até agora interlocutores no processo - Olmert e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas - não tinham precedentes assim há muitos anos.

EFE amg/wr/db

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