Livni precisará de Barak em seu eventual Governo

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 22 set (EFE) - A ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, precisa do líder trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak, em seu eventual Governo para alcançar a maioria parlamentar e não ficar, assim, subordinada aos interesses de partidos minoritários.

A ministra, que hoje recebeu do presidente do Estado de Israel, Shimon Peres, o mandato de formar Governo, está há dias fazendo cálculos, buscando variações para superar a barreira de 61 deputados que compõem a maioria absoluta dos 120 que formam a Knesset, o Parlamento israelense.

A matemática básica indica que, dos 13 grupos parlamentares, sem os 19 deputados trabalhistas as possibilidades de Livni de formar um Executivo são mínimas, para não dizer inexistentes.

Essa é a razão pela qual, no domingo, a chanceler ofereceu a Barak, em um encontro adiado por ele em várias ocasiões, uma "associação plena" no novo Governo, informa o jornal "Ha'aretz".

Uma proposta com a qual a ministra procura distender as tensas relações com o colega de Defesa, que geraram tantas manchetes no passado.

Como aspirantes naturais a primeiro-ministro, ambos se enfrentaram na imprensa, até os assessores de Barak lembrarem que "Livni esquece quem a colocou à frente do Kadima" ao forçar as primárias de semana passada, nas quais foi vencedora como novo líder deste partido centrista.

E, como na política a memória é tão curta ou longa como exigirem as circunstâncias, Livni ordenou no domingo a seus assessores que, por enquanto, deixem de atacar em público o adversário.

O que mais irrita a nova líder do Kadima são as recentes mudanças políticas bruscas de Barak, que oscilam entre sugerir a si mesmo perante Peres como primeiro-ministro e pedir eleições antecipadas.

Isso para não mencionar a ousadia de falar no fim de semana com o líder do conservador Likud, Benjamin Netanyahu, e oferecer um Governo de união nacional sem o Kadima.

"Não leve a sério seu encontro com o líder do Likud", disseram à ministra outros trabalhistas tão atônitos quanto ela pelas "irresponsabilidades" do ministro da Defesa.

Alguns analistas as atribuem a que Barak quer enfrentar as negociações com Livni de "igual para igual", sem que o eleitorado perceba uma condição de subordinação ao Kadima por falta de opções para garantir sua sobrevivência política.

O certo é que a chanceler precisa tanto do adversário político quanto ele dela, pois para ambos é um risco desnecessário recorrer a eleições antecipadas, como exige o Likud, sabedor de que, até pouco tempo, as pesquisas apontavam o partido como vencedor.

A opção de um Governo de união nacional com o nacionalista Netanyahu, que se opõe ao atual diálogo de paz com os palestinos, também é bastante arriscada para ambos.

Assim, com o Trabalhismo a bordo, Livni teria percorrido 80% da travessia rumo à Chefia de Governo, e faltariam só 13 deputados para conseguir a maioria absoluta.

A combinação com a qual Livni trabalha é a mesma que apoiava seu antecessor e ainda primeiro-ministro interino, Ehud Olmert: Kadima, Trabalhismo, os 12 deputados do ultra-ortodoxo Shas e os quatro do Partido dos Aposentados, o que totaliza 64.

É sua opção preferida porque, sem agitar demais a situação, Livni reservaria a esquerda pacifista caso houvesse necessidade.

A reedição da atual coalizão de Governo depende, no entanto, de se o Shas mantém suas exigências de aumento das ajudas para as várias famílias, uma verba de 110 milhões de euros que seria difícil de incluir nos orçamentos de 2009.

Em teoria, Livni pode optar também por uma combinação de centro-esquerda com os 19 trabalhistas, os 5 do pacifista Meretz, os 4 dos Aposentados, e os 3 de Justiça para o idoso; no total, 60, a um só legislador da maioria absoluta.

Por isso, para levar à frente seu programa, teria que garantir, além disso, como já fez Ariel Sharon, o apoio pontual do ortodoxo ashkenazi Judaísmo Unido da Torá -que não se sentaria em um Governo com Meretz-, ou o das três legendas dos árabes com cidadania, sempre e quando seguir vivo o processo de paz com os palestinos. EFE elb/db

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