Jerusalém, 19 out (EFE).- A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, pedirá amanhã ao presidente do país, Shimon Peres, mais duas semanas para tentar completar a formação de seu Governo, informou hoje o escritório de imprensa do primeiro-ministro Ehud Olmert.

"Livni irá amanhã às 11h30 local (7h30, horário de Brasília) à residência de Peres para lhe falar sobre os contatos (que manteve) para reunir uma coalizão parlamentar", diz a nota. Segundo a mesma, a ministra ainda "lhe pedirá um período adicional para formar o Governo".

São as duas semanas extras previstas na lei de Israel para quando o aspirante a chefe de Governo não consegue formar uma coalizão em um período de um mês do qual dispõe a princípio e após receber a incumbência presidencial.

O prazo original termina amanhã, sem que a chefe do partido governante Kadima tenha conseguido reunir os 61 deputados que lhe dariam a maioria absoluta no Parlamento (Knesset).

Neste período, apenas o Partido Trabalhista chegou a um acordo com o Kadima. Além disso, as diversas festas judias nas últimas semanas atrasaram as negociações com as demais legendas.

Livni negocia há dias com os ultra-ortodoxos do Shas, que aumentaram suas reivindicações orçamentárias conscientes de que, sem eles, será difícil para a ministra evitar eleições antecipadas, nas quais o partido nacionalista Likud desponta como favorito.

A imprensa local informou hoje que o Kadima está inclinado a oferecer mais de 500 milhões de shekels (cerca de US$ 135 milhões) como verba de ajudas sociais que beneficiarão o eleitorado ultra-ortodoxo.

No entanto, há uma segunda exigência que Livni se vê incapaz de satisfazer pelas implicações que isto acarretaria para o processo de paz que começou há quase um ano na conferência de Annapolis: a de não negociar o futuro de Jerusalém com os palestinos.

Depois do Shas, Livni deverá também fechar um novo acordo com o Partido dos Aposentados, a última das legendas que faz parte da coalizão ainda liderada pelo primeiro-ministro isralense Ehud Olmert, que renunciou em 21 de setembro após se ver envolvido em suspeitas de corrupção. EFE elb/rb/fal

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