JERUSALÉM - Israel caminhava no domingo para a realização de eleições antecipadas que provavelmente jogarão por terra qualquer chance ainda remanescente de um acordo de paz com os palestinos ainda este ano, depois de a líder do partido governista, Tzipi Livni, abandonar os esforços para formar um governo.

"Quando tive que optar entre sofrer extorsão contínua e adiantar as eleições, preferi as eleições", disse Livni, líder do partido Kadima, ao jornal Yedioth Ahronoth, fazendo referência às exigências orçamentárias do partido ultra-ortodoxo Shas.

Em comunicado divulgado por seu gabinete, Livni disse que o Kadima, "tendo provado que o que faz é o certo", vencerá a eleição parlamentar, que comentaristas políticos prevêem seja realizada em 17 de fevereiro, mais de um ano antes do previsto.

Ministra das Relações Exteriores e negociadora-chefe nas conversações de paz com os palestinos mediadas pelos EUA, Livni deveria reunir-se ao longo do dia com o presidente Shimon Peres para informá-lo que não conseguiu montar uma coalizão, após semanas de discussões acaloradas.

Em seguida, Peres poderá dar início ao processo que levará a uma eleição antecipada. As pesquisas de opinião indicam que essa eleição pode ser vencida pelo partido direitista do ex-premiê Benjamin Netanyahu, que se opõe a concessões territoriais grandes aos palestinos.

"Esperamos que os israelenses mantenham o rumo seguido pelo processo de paz", disse o negociador palestino Saeb Erekat.

Os EUA esperavam que pelo menos um esboço de acordo para a criação do Estado palestino fosse traçado antes do término do mandato do presidente George W. Bush, em janeiro.

Mas, com as negociações até agora mostrando poucos sinais de avanços --sendo os principais obstáculos o futuro de Jerusalém e a ampliação dos assentamentos israelenses--, além da turbulência do cenário político israelense, as chances de acordo parecem ser poucas.

Enquanto Israel se prepara para a eleição, o país continuará a ser liderado pelo primeiro-ministro Ehud Olmert, que renunciou em setembro em meio a um escândalo de corrupção mas, pela lei, continua no cargo até a formação de um novo governo.

Os comentários de Tzipi Livni podem indicar que ela pretende disputar uma campanha eleitoral que a retrate como mulher de princípios diante de um eleitorado desiludido com as disputas internas da coalizão e as suspeitas de improbidade nos altos escalões.

"Quando ficou claro que os partidos estavam aproveitando a oportunidade para fazer exigências econômicas e políticas ilegítimas, decidi parar e seguir adiante com as eleições", disse Livni em seu comunicado.

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