Livni ganha mais tempo para formar novo governo de Israel

Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - Tzipi Livni terá mais duas semanas para tentar formar um governo e tornar-se primeira-ministra de Israel, depois que foi prorrogado, nesta segunda-feira, o mandato inicial concedido pelo presidente do país a fim de que a chanceler oficializasse uma base de apoio.

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Livni, ministra das Relações Exteriores eleita no mês passado para liderar o partido Kadima (centrista), assumiria no lugar de Ehud Olmert, que renunciou devido a um escândalo de corrupção. Olmert, no entanto, continuará no cargo de premiê até a formação de um novo governo.

Em uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres, Livni pediu mais prazo e recebeu 14 dias adicionais a fim de tentar finalizar as negociações, afirmou um porta-voz de Peres.

Desde o início, comentaristas calculavam que Livni precisaria de seis semanas completas para negociar acordos de coalizão. O prazo inicial, de 28 dias, expirou nesta segunda.

"Sim, a senhora precisa de mais tempo. E eu estou pronto para ajudar", disse Peres a Livni. A chanceler afirmou em seu gabinete que "traria um governo à vida" a fim de enfrentar o período atual de instabilidade econômica.

"Nós somos capazes de tomar decisões e concluir esse processo", afirmou Livni.

Ainda não se sabe, porém, se a chanceler, que já recebeu o apoio do Partido Trabalhista (comandado atualmente pelo ministro israelense da Defesa, Ehud Barak), conseguirá convencer o partido Shas (ultra-ortodoxo) a fazer parte da base aliada.

Com os trabalhistas, Livni teria uma bancada de 48 parlamentares (de um total de 120). A participação do Shas elevaria esse número para 60, formando uma coalizão grande o suficiente para impedir a oposição de derrubar o governo dela com moções de desconfiança.

O apoio de partidos menores, como o dos Aposentados (com sete parlamentares) e do esquerdista Meretz (cinco), daria a Livni uma base mais ampla a fim de implementar políticas tais como a realização de um processo de paz com os palestinos.

O Shas, que sempre se descreveu como a legenda que representa os israelenses pobres, exige, como condição para unir-se a Livni, que o governo amplie em 1 bilhão de shekels (270 milhões de dólares) seus gastos com o sistema de bem-estar social.

As negociações entre o Kadima e o Shas devem ser intensificadas, em meio a boatos de que a chanceler planeja apresentar um novo governo quando o Parlamento voltar do recesso de verão, no dia 27 de outubro.

Sem o Shas, Livni poderia formar um governo minoritário valendo-se do apoio eventual de deputados de fora da coalizão, como os parlamentares esquerdistas e árabes preocupados com a convocação de eleições nacionais. Pesquisas de opinião mostram que o partido direitista Likud, de Benjamin Netanyahu, venceria uma eventual disputa nas urnas.

A antecipação do pleito nacional, previsto inicialmente para ocorrer apenas em 2010, pode ser a opção no caso de Livni não conseguir formar um governo.

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