Livni diz a Sarkozy que é cedo para trégua com Hamas

Paris, 1º jan (EFE).- A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, disse hoje ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, que ainda não é hora de frear a atual ofensiva de seu país na Faixa de Gaza e que os bombardeios continuarão até que o Hamas suspenda seus ataques contra povoados israelenses.

EFE |

"Tomaremos nossa decisão quando for o momento", declarou a chefe da diplomacia israelense quando deixava o Palácio do Eliseu, onde foi recebida pelo chefe do Estado francês, que visitará a região nas próximas segunda e terça-feira, em uma nova tentativa de conseguir um cessar-fogo.

Em um tom contundente, Livni explicou que a decisão de frear a operação militar será tomada com base nas "avaliações cotidianas" que Israel realiza e quando essas análises deixarem claro que o Hamas compreendeu que não pode continuar agindo como faz atualmente.

Até então, não haverá mudanças nem em nível militar nem em nível humanitário, porque, segundo a ministra, a situação humanitária em Gaza é "como tem que ser".

Com estas declarações, a chanceler deixa claro que o Governo de Israel também não está disposto a aceitar a trégua humanitária de 48 horas proposta pela França.

Sarkozy não fez comentários sobre esta primeira tentativa de frear os bombardeios aéreos israelenses, que, em apenas seis dias, mataram mais de 400 palestinos, incluindo um dos principais líderes do Hamas.

Mas, segundo Livni, o presidente francês tem plena consciência da complexidade do problema e das dificuldades de se encontrar a estratégia mais adequada.

A ministra disse ainda que o chefe de Estado da França compreende "a natureza da crise" e sabe que este "não é um problema unicamente israelense".

A chefe da diplomacia de Israel, que antes do encontro com Sarkozy já havia se reunido com seu colega francês, Bernard Kouchner, não deu mais detalhes da reunião com o presidente da França, mas agradeceu o paíse por todos os seus esforços a favor da paz no Oriente Médio.

Livni foi a Paris explicar pessoalmente a Sarkozy as razões pelas quais seu Governo descartou a proposta da União Européia (UE) de um cessar-fogo e de uma trégua humanitária.

O único objetivo da operação israelense na Faixa de Gaza é o da convivência pacífica, mas enquanto o Hamas governar a região as chances de esse objetivo ser alcançado são "muito baixas", disse a ministra de Israel antes de ir para o Palácio do Eliseu.

Sarkozy guardará todas as informações que recebeu para sua viagem à região na próxima semana, quando visitará Cairo (Egito), Damasco (Síria), Beirute (Líbano), Ramala e Jerusalém nos dias 5 e 6 de janeiro.

O presidente anunciou esses compromissos ontem à noite, na tradicional mensagem de fim de ano aos franceses, durante a qual disse que o objetivo de seu deslocamento à região não é outro que o de explorar "os caminhos da paz".

Segundo sua agenda, divulgada pelo Palácio do Eliseu, na segunda-feira Sarkozy terá um almoço de trabalho no Cairo com o presidente egípcio, Hosni Mubarak. Depois, viajará para Ramala , onde se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Ainda na segunda, o presidente francês jantará com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em Jerusalém, ao passo que no dia seguinte visitará o presidente sírio, Bashar al- Assad, e posteriormente se reunirá com o presidente do Líbano, Michel Suleiman, com o primeiro-ministro deste país, Fouad Siniora, e também o presidente do Parlamento, Nabih Berri. EFE pi/sc

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