Livni considera encerradas as negociações com Netanyahu

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 27 fev (EFE).- A líder do partido centrista Kadima, Tzipi Livni, deu hoje por encerradas as negociações com o líder do partido nacionalista Likud, Benjamin Netanyahu, que se negou a garantir a criação de um Estado palestino em futuras iniciativas de paz.

"A visão de dois Estados (para dois povos) não é um mero slogan.

União nacional não é apenas se sentar no Governo. É (abrir) um caminho em conjunto", declarou Livni ao sair da reunião com o chefe do Likud, com o que encerrou definitivamente os contatos políticos.

A reunião de hoje foi a segunda que os dois realizaram no prazo de cinco dias, após Netanyahu obter na última sexta a missão de formar o próximo Governo de Israel e apesar de ter ficado nas eleições com um deputado a menos que seu rival.

Entretanto, como a primeira, na reunião de hoje também não aconteceu nenhum resultado, ao ponto de ter sido interrompida quando o líder do Likud se negou a responder a uma pergunta sobre se estará disposto a introduzir a visão de dois Estados nas bases do Governo, publica a edição eletrônica do jornal "Yedioth Ahronoth".

Livni lhe pediu um compromisso claro de que aparecerá no programa que o Governo de Israel caminhará para o cumprimento dos objetivos fixados na conferência de Annapolis (EUA), que aconteceu em novembro de 2007.

"Vim para esta segunda reunião para escutar qual é sua visão e qual é o caminho correto que ele vê", declarou a ainda ministra de Relações Exteriores, que terminou o encontro ao se ver sem resposta e assegurando que não poderá "estar no Governo de Netanyahu".

Para o líder do Likud, que se vê definitivamente arrastado para a formação de um Governo com a extrema-direita e com os partidos ultra-ortodoxos, o responsável pelo fracasso foi seu interlocutor, "no qual não encontrou vontade de unidade".

Em declarações à imprensa o primeiro-ministro designado declarou que "estava disposto a ir rumo a ela", a fazê-la "participante plena da elaboração do programa de Governo, a dar a ela o mesmo número de ministros do Likud, dois nos três ministérios mais importantes e avançar nas negociações de paz".

"As diferenças podiam ser superadas, mas encontrei nela uma clara recusa à união nacional e de colocar juntas as equipes negociadoras", declarou.

Para Gideon Sa'ar, chefe da equipe de negociação do Likud, Livni compareceu à reunião "movida por interesses pessoais", pois ela mesma falou da necessidade de criar um Governo de união nacional na noite em que conquistou as eleições de 10 de fevereiro.

"Como é possível que a união nacional fosse tão necessária quando ela ainda tinha nominalmente a possibilidade de ser primeira-ministra, e agora não?", se perguntou.

Além disso, a acusou de antepor seus interesses políticos pessoais aos do Estado de Israel em um momento no qual este enfrenta ameaças como o programa nuclear iraniano.

"No programa do Governo de Kadima (de 2006) não aparece a expressão 'Estado palestino'. A exigência de Livni neste tema só tinha o objetivo de impedir que Netanyahu forme um Governo de direita", declarou.

Essa descrição teria prevenido, por exemplo, que vários dos partidos que lhe recomendaram ao presidente Shimon Peres para que o nomeassem chefe de Governo se juntarão a seu Governo, deixando ele novamente com a marca de "defraudador" que já imprimiu em sua primeira gestão, quando em 1998 se afastou da direita mais ortodoxa ao assinar um acordo para a cessão de Hebron aos palestinos.

Agora, sob preço de ficar sem os partidos moderados, Netanyahu preferiu ir pela via da ética política e não dar nenhum passo que lhe impeça unir seus destinos aos de seus aliados naturais da extrema direita.

Já antes da reunião com Livni fontes dos dois partidos tinham afirmado que seria "protocolar" e que havia poucas possibilidades de que dela saísse um acordo.

Segundo o "Ha'aretz", a reunião respondia ao desejo de Netanyahu "de demonstrar que tentou todas as opções para se comprometer com Livni com ofertas generosas e sem precedentes".

Isto, afirma o líder do Likud, jogará em sua rival política toda a responsabilidade pública na hora de ter que fazer concessões aos partidos de extrema direita e ultra-ortodoxos com os quais acelerará as negociações a partir da noite de amanhã. EFE elb/fal

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