Livni chega às eleições de Israel com futuro político ameaçado

JERUSALÉM - A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, participa das eleições desta terça-feira ciente de que seu futuro político está em jogo, uma vez que, há três meses, abriu mão de formar um governo de coalizão com o argumento de que pretendia fazer outro tipo de política.

EFE |

Com 50 anos e à frente da Chancelaria desde 2006, Livni pode se ver em apuros se perder o pleito, forçado por ela mesma quando, em outubro, diante da renúncia do atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, decidiu disputar a chefia do governo nas urnas.

Um mês antes, ela assumira a liderança do partido Kadima ao derrotar Shaul Mofaz por uma diferença de apenas 431 votos.


Livni é chanceler de Israel desde 2006 / AP

Na verdade, para observadores locais, Israel só está indo às urnas antecipadamente devido a "caprichos" de uma política novata, como a decisão dela de não ceder às reivindicações econômicas do partido ultra-ortodoxo Shas, agora aliado de seu maior adversário e líder do Likud, Benjamin Netanyahu.

"Estou farta de extorsões. Veremos todos estes heróis dentro de 90 dias", disse Livni ao rejeitar as exigências do Shas.

Empate técnico

Pesquisas divulgadas na última sexta-feira pelos jornais "Ha'aretz" e "Yedioth Ahronoth" apontam empate técnico entre o Likud e o Kadima.

As enquetes coincidem em atribuir 27 deputados ao Likud e 25 ao Kadima, enquanto o "Jerusalem Post" aponta diferença de 26 assentos a 23 em favor da legenda de Netanyahu.

As pesquisas confirmam também a forte ascensão do partido conservador Yisrael Beiteinu, do ex-ministro Avigdor Lieberman, que obteria entre 18 e 19 cadeiras.

Livni tomou a decisão de convocar eleições antecipadas por impulso, influenciada por projeções que apontavam uma vitória sua sobre o Likud, e impelida pelo seu compromisso com a imagem de "política irrepreensível" que tanto defende.

Três meses depois, e após uma ofensiva israelense contra Gaza de quase um mês, a integridade política de chanceler foi relegada a segundo plano na agenda da campanha eleitoral.

Em debate agora está a capacidade de Livni de governar num mundo de homens e militares, de fazer frente à crise econômica global e de comandar o processo de paz com os palestinos.

Perfil

Livni, advogada e mãe de dois filhos, é uma pragmática que readaptou suas raízes nacionalistas em prol de uma paz factível com os palestinos, seguindo os passos do ex-primeiro-ministro Ariel Sharon em direção ao Kadima.

Filha de Eitan, um comandante do Irgun, grupo separatista que participou da luta armada e no qual também militava a mãe da chanceler, Livni nasceu e cresceu no seio de uma família ultranacionalista.

Mas hoje não é estranho ouvir Livni falar da desocupação da Judéia e de Samaria (Cisjordânia), ou da devolução de partes de Jerusalém, uma cidade que ela, no entanto, considera o "coração" da identidade do povo judeu.

Na campanha, os adversários o tempo todo a lembram da "traição" que significa "vender Jerusalém". Mas está claro que para trás ficou aquela menina de Tel Aviv curtida nas fileiras do Likud, partido com o qual entrou ao Parlamento pela primeira vez em 1999.

Contra seus detratores, ela argumenta que é hora de escolher "que Estado queremos, um de maioria judaica ou um binacional" com os palestinos. Além disso, diz que ninguém "tem que escolher entre paz e segurança", que "é preciso escolher ambas".

A chanceler também rebate o discurso de que uma mulher não pode fazer o trabalho de um homem num país onde a agenda política é dominada por assuntos militares.

Se em princípio Livni tirou da manga seu passado de "agente" do Mossad, que depois esclareceu que ela apenas cumpriu funções logísticas muito básicas, agora ela estabelece um paralelismo com a histórica "dama de ferro" de Israel, a ex-primeira-ministra Golda Meir.

Para isso, foi fotografada na cozinha de sua casa, no mesmo lugar onde Meir tomava as decisões cruciais de seu governo - incluindo as relacionas à segurança de Israel - em debates com seus assessores e ministros mais próximos.

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