Litígio entre Rússia e Ucrânia deixa a Europa sem gás em pleno inverno

O conflito do gás entre a Rússia e a Ucrânia atingiu nesta terça-feira em cheio os países da Europa central e oriental, que registraram fortes reduções e até cortes totais no fornecimento do gás russo, num momento em que as temperaturas caíram abaixo dos 20 graus centígrados em algumas regiões.

AFP |

Áustria, República Tcheca, Polônia, Bulgária, Eslováquia, Hungria, Romênia, Croácia, Macedônia, assim como Grécia e Turquia, informaram que seus fornecimentos de gás sofreram importantes cortes.

Todos estes países se verão obrigados a recorrer a suas reservas para compensar a brutal redução do abastecimento de gás russo.

O fornecimento do gás russo para a República Tcheca registrou uma diminuição de 75%, segundo anunciou o porta-voz da principal companhia de gás tcheca, a RWE-Transgas.

Além disso, a Áustria anunciou que recebe apenas 10% do gás russo previsto e a Hungria menos de 20%.

O ministro tcheco da Indústria e Comércio, Martin Riman, que integra uma delegação da União Européia (UE), confirmou que o fornecimento de gás russo para a Europa caiu drasticamente durante a noite e continua piorando.

"A situação mudou drasticamente. O volume de gás transportado da Rússia para a Ucrânia diminuiu e a situação na fronteira eslovaca está piorando", disse o alto representante da UE.

"Sem aviso prévio e em clara contradição com as garantias dadas à União Européia pelas máximas autoridades russas e ucranianas, o fornecimento de gás a alguns Estados membros foi cortado de maneira substancial. A situação é totalmente inaceitável", afirmou a presidência tcheca da UE em um comunicado.

A interrupção do fornecimento se deve ao conflito sobre o preço entre o fornecedor russo Gazprom, e a Ucrânia, principal país de trânsito do gás russo para o resto da Europa.

O governo da Ucrânia, por meio da empresa Naftogaz, já havia anunciado que a gigante russa Gazprom havia reduzido drasticamente o fornecimento de gás destinado aos consumidores europeus, o que prejudicaria em poucas horas o abastecimento do continente.

"Reduziram as entregas a 92 milhões de m3 em 24 horas, contra 221 milhões de m3 prometidos, sem nenhuma explicação. Não sabemos como vamos enviar gás para a Europa", declarou o porta-voz da Naftogaz, Valentin Zemlianski.

A Alemanha pediu, através de seu ministro da Economia, Michael Glos, a retomada das negociações entre a Rússia e a Ucrânia. Glos deve receber ainda hoje o vice-presidente da estatal russa Gazprom, Alexandre Medvedev, que realiza uma viagem pela Europa para defender o ponto de vista de seu país.

Em Kiev, o diretor da Naftogaz, Oleg Dubina, anunciou, por sua vez, que viajará na quinta-feira a Moscou para se reunir com o colega russo Alexei Miller.

A Ucrânia rebate as acusações de roubar gás russo e acusa a Rússia de criar esta crise.

A União Européia depende da Rússia para obter um quarto de seu consumo total de gás - 40% de suas importanções -, 80% dos quais transitam pela Ucrânia.

Este conflito faz temer que se repita a situação de 2006, quando a disputa russo-ucraniana pertubou fortemente o abastecimento de vários países da Europa.

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