Lino Oviedo tem um olho na Presidência e outro no Congresso

Terceiro colocado na maioria das pesquisas de intenção de voto, embora não muito atrás de Fernando Lugo e de Blanca Ovelar, o general da reserva Lino César Oviedo chega às eleições deste domingo no Paraguai com um olho na Presidência e outro no Congresso. Oviedo faz questão de afirmar que ainda está no páreo.

BBC Brasil |

"Se eu não tivesse chances vocês não estariam aqui me rodeando com tantas perguntas", disse numa enrtrevista.

Mas também aposta no aumento da bancada de seu partido, Unace (União Nacional de Cidadãos Éticos), para manter sua influência nos destinos do país.

Atualmente, o Unace tem cinco deputados e cinco senadores e sua expectativa é triplicar esta representação, elegendo 14 senadores e 16 deputados.

O Senado conta com 50 representantes, e a Câmara dos Deputados, com 80 - a maioria do Partido Colorado, legenda do presidente Nicanor Duarte Frutos.

Dissidência
O Unace foi criado por Oviedo em 1996, como dissidência do tradicional Partido Colorado, que está há 61 anos seguidos no poder.

No mesmo ano, ele foi acusado de planejar um golpe contra seu até então aliado, o presidente Juan Carlos Wasmosy - crime pelo qual viria a ser condenado a 10 anos de prisão em 1998.

Oviedo também foi acusado de participação no assassinato do vice-presidente Luis Maria Argaña, em 1999, mas negou qualquer envolvimento no caso.

O ex-general passou vários períodos na cadeia no Paraguai e no Brasil, onde se refugiou em 2001, mas aliados de Fernando Lugo dizem que ele não cumpriu a totalidade da pena.

Segundo essa tese, sua liberdade teria sido articulada pelo presidente Nicanor Duarte Frutos para impedir o crescimento da candidatura do ex-bispo católico Fernando Lugo e facilitar o caminho da candidata governista Blanca Ovelar.

Oviedo nega e diz que foi perseguido politicamente pelos últimos 11 anos.

Brasil
O ex-general e Lugo disputam votos nas mesmas camadas de classes baixas, mas têm discursos e propostas diferentes.

Nesta semana, Oviedo reiterou suas declarações de "amizade" com o Brasil e criticou Lugo por defender a revisão do tratado da hidrelétrica binacional de Itaipu.

"Isso é populismo barato para conseguir votos (...). Aproveitemos a energia barata que temos para produzir mais", disse Oviedo.

A postura e sua proximidade com o Brasil lhe rendem acusações de representar os interesses brasileiros no Paraguai.

Oviedo, como os demais políticos paraguaios, costuma falar em guarani nos palanques eleitorais.

Na sua plataforma de campanha, ele promete mais investimento em educação e saúde.

"O povo paraguaio é escravo da sua ignorância. E para melhorar a base tem que ter saúde e educação", diz.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG