Moscou, 17 nov (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que as ligações de Moscou com países da América Latina e Caribe -como Cuba e Venezuela- não apontam contra terceiros estados -em referência aos Estados Unidos-, em entrevista divulgada hoje pela agência oficial russa RIA Novosti.

Segundo o chefe da diplomacia russa, a causa principal da aproximação entre Rússia e América Latina é a "coincidência objetiva de interesses".

"Nossa cooperação não está dirigida contra terceiros países e não está subordinada à conjuntura política", disse Lavrov às vésperas de uma viagem por diversos países latino-americanos.

O chanceler russo negou que o aumento dos contatos da Rússia com os países da América Latina e do Caribe seja conseqüência de problemas com os Estados Unidos, como assinalam alguns observadores.

"A Rússia e os Estados latino-americanos são aliados naturais na formação de uma ordem internacional mais justa e mais segura, assim como na solução dos problemas-chave da atualidade", afirmou.

Ao falar da cooperação militar, Lavrov alegou que "os armamentos que fornecemos não são armas de ataque. Por seus parâmetros técnicos, se tratam de meios estritamente defensivos".

O ministro russo insistiu que a cooperação militar é "transparente" e em que Moscou cumpre "de maneira rigorosa todos seus compromissos internacionais".

Ele destacou que as trocas comerciais entre a Rússia e a América Latina crescem de 25% a 30% anualmente e que este ano deve alcançar a cifra recorde de US$ 15 bilhões.

A entrevista foi divulgada às vésperas da viagem do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev à América Latina, incluindo visitas ao Peru, Venezuela, Brasil e Cuba.

Hoje mesmo, a Chancelaria russa informou que Lavrov visitará na quarta-feira Bogotá, onde se reunirá com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. EFE bsi/jp

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