Liga Árabe Europeia é processada por charge do Holocausto

Por Aaron Gray-Block AMSTERDÃ (Reuters) - A Liga Árabe Europeia (AEL na sigla em inglês) está sendo processada por insultar judeus com a publicação de uma charge insinuando que estes inventaram o Holocausto, disse o gabinete da promotoria da Holanda nesta quarta-feira.

Reuters |

O escritório disse ter informado duas semanas atrás a AEL, um grupo lobista de direitos árabes e muçulmanos da Europa, que a publicação da charge é ilegal, mas que desistiria do caso se o grupo retirasse a charge de seu site dentro de duas semanas e concordasse em não republicá-la.

A AEL já havia removido a charge do seu site www.arabeuropean.org, mas a republicou, levando a promotoria a levar o caso adiante. O grupo disse que retiraria o desenho novamente mas que se defenderia no tribunal.

A charge mostra dois homens debaixo de uma placa em que se lê 'Auschwitz' e ao lado de vários corpos, dizendo que as vítimas podiam não ser judeus mas que tinham que chegar a 'seis milhões' --o número de judeus mortos no Holocausto.

"Esta charge pode ser considerada discriminatória", disse a promotoria em um comunicado, acrescentando que é ofensiva á toda a população judia.

A AEL declarou ter usado a charge do Holocausto quando iniciou uma campanha em fevereiro de 2006 para "ilustrar com desenhos a moral ambivalente do Ocidente durante o escândalo das charges na Holanda".

Abdoulmouthalib Bouzerda, presidente da AEL holandesa, disse que na ocasião o grupo publicou um aviso dizendo não apoiar as opiniões das charges que publicou.

Por apoiar a liberdade de expressão, A AEL não reclamou da republicação das charges de Maomé na Holanda e tentava mostrar que não somente muçulmanos podem ser insultados por charges, disse ele, referindo-se a uma charge do profeta Maomé em um jornal holandês em 2005 com uma bomba em seu turbante.

Sua reprodução em vários jornais ao redor do mundo desencadeou protestos violentos em países muçulmanos em 2006, levando o diário a se desculpar, embora o governo holandês tenha defendido o direito do jornal à liberdade de expressão.

A promotoria holandesa disse ter decidido não reagir à republicação da charge de Maomé por não considerá-la ofensiva aos muçulmanos em geral.

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