Liga Árabe determina janela de 4 meses para negociações de paz

Por Yasmine Saleh CAIRO (Reuters) - Ministros da Liga Árabe declararam apoio nesta quarta-feira a um plano dos EUA para negociações indiretas entre palestinos e israelenses, reforçando os esforços de Washington para reativar o processo de paz estagnado.

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O presidente palestino, Mahmoud Abbas, declarou que vai respeitar a decisão do comitê da Liga Árabe, que se reuniu em Cairo.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que pediu negociações diretas mas não excluiu a possibilidade de negociações indiretas como primeiro passo, disse após a iniciativa da Liga Árabe que as condições para o início das chamadas "negociações de proximidade" estão melhorando.

"Vamos ver. Nós não somos o obstáculo. Eu já falei que são necessárias duas partes para dançar o tango no Oriente Médio. Mas talvez sejam necessárias três, e pode ser que, inicialmente, precisemos de uma missão de ponte aérea", disse ele ao Parlamento israelense, aludindo a um mediador que se desloque entre um lado e outro.

"O mundo compreende - e como! - que este governo deseja negociações e já deu passos, que não foram simples, para promover conversações", acrescentou Netanyahu, numa aparente referência a um congelamento parcial das construções nos assentamentos, descrito por Abbas como insuficiente.

A Síria, adversária resulta de Israel, disse que a decisão da Liga Árabe não foi consensual e que parece visar dar "cobertura política" a uma decisão palestina já tomada.

"Apesar de não estarmos convencidos da sinceridade do lado israelense no desejo de acordar uma paz justa, o comitê vê... as negociações indiretas como derradeira iniciativa", disse o chefe da Liga Árabe, Amr Moussa, em uma reunião de chanceleres de países árabes em Cairo.

"Essas negociações não devem ter prazo indefinido para terminar. Precisam ter um prazo de tempo não superior a quatro meses. As negociações indiretas não devem traduzir- se automaticamente em negociações diretas", disse ele.

O negociador palestino Saeb Erekat também disse que os países árabes "não se convenceram das intenções israelenses", mas apoiaram a proposta dos EUA.

Os palestinos vêm minimizando a importância das negociações indiretas, dizendo que a diplomacia de ponte aérea feita no último ano pelo enviado de paz dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, não tem passado disso.

Erekat disse que, se as discussões fracassarem, o comitê se reunirá em julho para avaliar a situação. Moussa declarou que qualquer fracasso levará os países árabes a pedirem uma reunião imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Washington vem tentando há um ano levar palestinos e israelenses a negociar. Mahmoud Abbas interrompeu as negociações com Israel em protesto contra a ofensiva lançada por Israel contra a Faixa de Gaza em dezembro de 2008.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta, em Ramallah, Jeffrey Heller, em Jerusalém, e Marwa Awad, em Cairo).

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