Liga Árabe dá um mês para EUA salvarem negociações de paz

Comitê reforçou posição pelo fim dos assentamentos judaicos, um dia pós Washington oferecer 'incentivos' para Israel

AFP |

A Liga Árabe deu um mês a Washington, nesta sexta-feira, para reativar as negociações diretas entre Israel e palestinos, segundo comunicado publicado após uma reunião em Sirte, na Líbia, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Um Comitê de Acompanhamento da Liga Árabe que discute o processo de paz, integrado pelos ministros das Relações Exteriores dos 13 países da entidade, anunciou, após a reunião com Abbas, que voltará a se reunir "no prazo de um mês para examinar as alternativas propostas pelo presidente Abbas para determinar as medidas necessárias que devem ser tomadas sobre este assunto".

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Secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa (E), conversa com Mahmoud Abbas (C) e chanceler do Qatar, Hamad bin Jassim al-Thani

Por outro lado, o comitê reforçou a posição do presidente palestino, que pediu a suspensão total da construção de colônias judaicas na Cisjordânia para permitir a continuação das negociações diretas. Assim, segundo um comunicado publicado ao final da reunião, os chanceleres árabes voltaram a vincular as conversações a uma suspensão prévia da colonização israelense.

O comitê "apóia a posição do senhor Abbas, no que diz respeito à suspensão total de todas as atividades de colonização, previamente à retomada das negociações".

Responsabilidade

No comunicado, a Liga Árabe "atribui a responsabilidade da suspensão das negociações diretas a Israel por sua política de colonização ilegal", e pede à comunidade internacional que "tome as medidas necessárias para por um fim ao bloqueio israelense à Faixa de Gaza".

A posição expressa pelo comitê de acompanhamento consitui "um enorme apoio árabe à posição do presidente Abbas", disse o porta-voz da presidência palestina, Nabil Abu Rudeina. "O comitê se reunirá em um mês para examinar as alternativas, dando à administração americana uma chance para tentar encontrar, até lá, uma solução para o problema da colonização", acrescentou.

Retomada

As negociações diretas de paz entre Israel e palestinos, reativadas em 2 de setembro, em Washington, após 20 meses de suspensão, ficaram ameaçadas pela retomada, no fim do mês passado, das construções por parte de Israel de colônias judaicas na Cisjordânia, após um congelamento de 10 meses.

Os Estados Unidos que, assim como a comunidade internacional pediram um novo congelamento das colonizações, pressionam os países árabes para que continuem apoiando as negociações. Para os palestinos, a construção de colônias destitui de sentido as negociações sobre as fronteiras de um futuro Estado palestino, ao fomentar fatos consumados que podem ser irreversíveis.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, devolveu a bola para o campo palestino: "Israel manifesta seu interesse na busca de negociações diretas" e espera que os palestinos "não abandonem as negociações", disse à AFP um de seus porta-vozes, antes da reunião de Sirte.

Incentivos

Na quinta-feira, o embaixador de Israel nos EUA revelou que Washington ofereceu "incentivos" em troca de um congelamento da colonização. O premiê israelense, que ainda não respondeu a esta oferta, que seria particularmente favorável a Israel, exigiria que o presidente americano, Barack Obama, homologasse os compromissos assumidos em 2004 por seu antecessor, George W. Bush, que apoiou a anexação por Israel de grandes blocos de colônias no contexto de um acordo final.

Segundo meios de comunicação israelenses, Washington teria prometido a Israel armamentos sofisticados e bloquear qualquer tentativa de discutir a proclamação de um Estado palestino na ONU.

Na quinta-feira, o Pentágono confirmou a venda para Israel de 20 aviões caça F-35, o avião de combate mais avançado do mundo.

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