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Lieberman quer paz por paz em vez de paz por territórios

Milagros Sandoval. Redação Central, 2 abr (EFE).- O princípio de paz por paz que pretende instaurar o novo ministro israelense de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, joga um balde de água fria no de paz por territórios consagrado na Conferência de Madri, em 1991.

EFE |

A fórmula "paz por territórios (árabes ocupados por Israel na guerra de 1967)" foi instaurada na Conferência de Paz sobre o Oriente Médio de Madri como a chave-mestra para que os dois povos em conflito desde a criação do Estado de Israel em 1948, chegassem a um entendimento.

Desde essa data, todas as iniciativas: Acordos de Oslo (1993), Camp David (2000), Plano saudita aprovado pela Liga Árabe (2002), o "Mapa de Caminho" (2003) e a última, a Conferência de Annapolis (2007) haviam adotado o princípio de Madri como solução justa e equânime para acabar com o conflito árabe-israelense.

Lieberman, em declarações publicadas hoje pelo jornal "Ha'aretz" dá um "não" a esse princípio, ao descartar qualquer retirada de seu país das Colinas do Golã como requisito para conseguir a paz com a Síria e afirma que "a paz só será feita em troca de paz".

O segundo "não" do ultranacionalista Lieberman responde aos compromissos da conferência de Annapolis, realizada nos Estados Unidos, em 27 de novembro de 2007.

A fórmula de "dois Estados para dois povos" de Annapolis foi aceita pela comunidade internacional e pelo Governo anterior de Ehud Olmert.

Em troca de seus dois "nãos" o novo Governo israelense presidido por Benjamin Netanyahu -que assistiu à Conferência de Paz de Madri como então vice-ministro de Relações Exteriores- oferece a iniciativa denominada "paz econômica", que defende o estímulo à prosperidade nos territórios palestinos.

O novo Governo israelense exige como requisito que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) lute contra qualquer tipo de terrorismo, recupere o controle de Gaza e desmilitarize a facção Hamas, que governa de fato este território desde 2007, quando o tomou pelas armas.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que só tem comando na Cisjordânia ocupada, pediu à "comunidade internacional" para que comece a pressionar a Netanyahu, até que aceite a "solução de dois Estados".

Abbas sustenta que "Netanyahu nunca acreditou na solução de dois Estados, nem aceitou os acordos assinados, nem quer cessar a construção de assentamentos (judaicos em territórios palestinos)".

Por sua vez, a comunidade internacional, por meio do enviado especial para o Oriente Médio, o ex-premiê britânico Tony Blair, sublinhou que "não há alternativa" à criação de um Estado palestino se os envolvidos quiserem evitar "um grande enfrentamento".

Enquanto, o primeiro-ministro israelense recebeu uma chamada do presidente americano, Barack Obama, que lhe desejou sucesso em seu trabalho e reiterou "o imprescindível compromisso" dos Estados Unidos com a segurança de Israel. EFE msr/jp

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