Líderes religiosos apelam para proteção a cristãos no Iraque

Encontro reuniu muçulmanos e cristãos em mesquita de Bagdá; milhares de cristãos fugiram do país depois de atentado com 52 mortos

Reuters |

Líderes religiosos cristãos e muçulmanos do Iraque fizeram na quinta-feira um apelo por unidade na proteção à comunidade cristã do país, alvo de uma série de recentes ataques.

Em um encontro na quinta-feira, Ahmed Abdul Ghafour al-Samarrai, líder religioso da minoria muçulmana sunita, disse que criminosos não irão conseguir dividir os iraquianos por questões étnicas e religiosas.

"Os iraquianos são um só sangue. Se a parte cristã sofre, o resto do corpo muçulmano irá reagir a isso. O sangue iraquiano é sagrado, não se pode cruzar uma linha vermelha", disse Samarrai aos participantes da conferência, intitulada O Diálogo das Religiões, na zona oeste da capital Bagdá.

Milhares de cristãos fugiram de Bagdá depois de um atentado, em outubro, contra uma catedral cristã, que matou 52 pessoas, e de explosões de bombas, em dezembro, nas casas de cristãos, com saldo de 2 mortos e 16 feridos.

Insurgentes sunitas ligados à Al-Qaeda reivindicaram a responsabilidade pelos atentados, que despertaram temores de uma retomada da violência sectária que assolou o país depois da ocupação americana, em 2003, e atingiu seu auge em 2006/07.

O grupo Estado Islâmico do Iraque, afiliado à Al-Qaeda, diz que os cristãos iraquianos serão alvo de novos ataques se não pressionarem a Igreja Cristã do Egito a libertar mulheres que supostamente estariam sendo mantidas presas depois de se converterem ao islã.

População

Os cristãos já chegaram a ser mais de 1,5 milhão no Iraque, mas se estima que atualmente esse contingente tenha caído para 850 mil pessoas, dentro de uma população total de 30 milhões, onde a maioria é composta por muçulmanos xiitas, com uma expressiva minoria sunita.

Cerca de 1 mil famílias cristãs já fugiram para o Curdistão iraquiano (região semiautônoma no norte do país) ou para nações vizinhas desde o ataque à catedral, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

"O cristão do Iraque não é inimigo de ninguém, nunca apontou uma arma para ninguém, e nunca lutou para expulsar os muçulmanos das suas casas neste país", disse Abdullah al-Naftali, líder de uma congregação cristã iraquiana.

O encontro interreligioso, o primeiro do gênero no país, ocorreu na mesquita Um al-Qura, na zona oeste da capital Bagdá. Uma imagem de duas mãos surgindo de duas famosas mesquitas, uma sunita e outra xiita, e envolvendo a catedral de Nossa Senhora da Salvação, cenário do atentado de 31 de outubro, estava exposta em uma das paredes da mesquita.

    Leia tudo sobre: iraquecristianismoreligiãocristãosbagdá

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG