Líderes progressistas decidem impulsionar bases para nova economia mundial

Viña del Mar, 28 mar (EFE).- Os chefes de Estado e de Governo que participam da Cúpula de Líderes Progressistas, que acontece na cidade chilena de Viña del Mar, decidiram hoje construir as bases de uma economia que permita o amplo compartilhamento da prosperidade e evitar que o desastre econômico e financeira gere uma explosão social.

EFE |

"A crise econômica internacional, o estado do meio ambiente e as graves consequências sociais que podem resultar destes (dois primeiros fatores) demandam uma urgente ação dos Governos", destacou a presidente do Chile, Michelle Bachelet, ao ler a declaração final do encontro.

A cúpula, que pela primeira vez foi realizada na América Latina, reuniu presidentes como Luiz Inácio Lula da Silva e seus colegas de Argentina, Cristina Fernández, e do Uruguai, Tabaré Vázquez.

Também participaram dos debates os chefes de Governo de Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero; Reino Unido, Gordon Brown, e Noruega, Jens Stoltenberg, além do vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden; do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e a secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena.

A reunião, promovida pela Rede Progressista Mundial - criada por Bill Clinton e Tony Blair em 1999 -, teve como pano de fundo a cúpula do G20, que em 2 de abril reunirá em Londres as potências mundiais e os principais países emergentes.

Durante as discussões, os governantes progressistas trocaram pontos de vista para articularem respostas multilaterais à crise que contenham sensibilidade social e consciência ecológica. Além disso, frisaram a importância de "as pessoas serem colocadas em primeiro lugar, para evitar que a recessão econômica" dê origem a "uma recessão social".

Por isso, os líderes progressistas propuseram "políticas que retomem o crescimento, reforcem o bem-estar social e estimulem a geração de emprego".

Além disso, ressaltaram a necessidade de a comunidade internacional "dar um novo impulso aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU", se mostraram a favor de reformas nas leis nacionais relativas às instituições financeiras e combinaram coordenar uma nova regulação internacional.

Neste sentido, fizeram um apelo para que as instituições financeiras internacionais e regionais "desempenhem um importante papel na prevenção de consequências desastrosas" para as economias "emergentes e em desenvolvimento".

Por isso, pediram reformas nessas instituições, embora isso signifique aumentar seu orçamento, evitar as políticas protecionistas e concluir com sucesso a Rodada de Doha, promovida pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os líderes aproveitaram a reunião de Viña del Mar para intensificar os contatos bilaterais e, em alguns casos, tentar desobstruir suas relações.

Em sua primeira visita à América Latina, Biden se reuniu com Gordon Brown, Cristina Fernández, Tabaré Vázquez, Michelle Bachelet e José Luis Rodríguez Zapatero.

Um dos encontros que maior expectativa gerou foi o do primeiro-ministro do Reino Unido com a presidente da Argentina, no qual ambos constataram suas diferenças em relação à soberania das Ilhas Malvinas, 27 anos depois de os dois países terem travado uma guerra pelo território.

Por sua vez, a anfitriã da reunião, Michelle Bachelet, se reuniu com os presidentes de Brasil, Uruguai e Noruega, e também com o chefe do Governo espanhol, que, por sua vez, se encontrou com Lula e seu colega britânico.

O presidente brasileiro também se reuniu com o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, e, depois desse encontro, anunciou a criação de um fundo social do petróleo como o criado pelo país escandinavo. EFE mf/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG