Líderes pedem planos concretos para agilizar integração América do Sul-África

Porlamar (Venezuela), 26 set (EFE).- A segunda Cúpula América do Sul-África (ASA) começou hoje na ilha Margarita, na Venezuela, com a vontade dos chefes de Estado e Governo presentes de reforçar a cooperação entre ambas as regiões e com repetidos pedidos de planos concretos para agilizar a integração.

EFE |

Ao abrir a reunião com os mais de 30 governantes presentes, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comentou que ainda existem discordâncias entre as delegações ministeriais quanto à aprovação de alguns parágrafos dos documentos finais da cúpula.

O presidente venezuelano disse que os ministros continuarão "trabalhando em paralelo" aos debates dos governantes para alcançar um acordo a respeito dos documentos, a Declaração de Margarita e o Plano de Ação.

Diante de tais dificuldades, o presidente venezuelano, que destacou a necessidade de agilizar os mecanismos já criados na primeira Cúpula ASA, realizada há três anos na Nigéria, submeteu à consideração de seus colegas a proposta de "elevar em nível de comissões ministeriais" os grupos de trabalho atualmente existentes.

Chávez também propôs a criação de "uma mesa de presidentes e de assessores dedicada exclusivamente a criar uma agenda estratégica da ASA".

"Temos que dar visão estratégica e viabilidade" à ideia de integrar América do Sul e África com a estruturação e o início de uma "agenda de trabalho para os anos 2010-2020", declarou o presidente venezuelano, que após seu discurso cedeu a palavra ao líder líbio Muammar Kadafi, a quem chamou de "irmão" e "companheiro".

Kadafi, que será o anfitrião da terceira Cúpula ASA dentro de dois anos, propôs em sua fala a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Atlântico Sul, após criticar "as relações de senhores e escravos", que, em sua opinião, existem entre o norte e o sul.

"No sul estão as riquezas, mas o norte se aproveita delas", declarou Kadafi, atualmente presidente temporário da União Africana (UA).

Segundo o líder líbio, cuja presença em Margarita despertou a maior expectativa entre a opinião pública local e os quase 500 jornalistas credenciados para a cúpula, essa "Otan do Atlântico Sul" teria como objetivo a "defesa dos interesses da região".

Entre os presidentes que discursaram no primeiro dia da cúpula, que termina amanhã, se sucederam os pedidos a favor da concretização de planos rigorosos, além da vontade política de cooperação e integração.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse convencido do sucesso do processo de integração entre os países sul-americanos e africanos e destacou que isso abrirá oportunidades inéditas de desenvolvimento para as duas regiões.

"No momento em que nos juntamos, podemos produzir oportunidades muito maiores do que as criadas pelo mundo desenvolvido em todo o século passado" para os países em vias de desenvolvimento, declarou Lula durante seu discurso.

Para ampliar ainda mais esse processo, o presidente propôs a criação de "um grupo de trabalho fixo, permanente" que determine, aborde e avance sobre "temas determinados" que permitam a ambas as regiões "chegar na próxima Cúpula com resultados extraordinários".

"Valeu a pena fazer a primeira (cúpula ASA) ao ver os resultados, porque a integração entre América do Sul e África não tem mais volta", declarou Lula.

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, defendeu a criação de "instrumentos eficazes que possam unir" as economias das duas regiões para "passar da retórica unionista para a efetividade".

Quem também pediu resultados "concretos" foi o presidente da Comissão da União Africana (UA), o gabonês Jean Ping.

"Esta cúpula é uma reunião com a História, e decisões concretas devem ser tomadas. A retórica não é suficiente, porque a credibilidade da cooperação Sul-Sul está em jogo", disse Ping. EFE eb/bba

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