Bogotá, 2 jul (EFE).- Presidentes, ministros e partidos políticos de vários países, organizações internacionais, ex-reféns e o povo colombiano, que saiu às ruas, comemoraram hoje o resgate de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre os quais está a franco-colombiana Ingrid Betancourt.

Uma operação militar classificada como "impecável" pelas autoridades colombianas devolveu à liberdade a ex-candidata à Presidência colombiana, três americanos e 11 policiais e militares, todos há pelos seis anos em cativeiro.

As primeiras reações no mundo todo foram de alegria e de pressão para que as Farc libertem todos os seus reféns ou voltem a dialogar com o Governo colombiano.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que conversou por telefone com seu colega da Colômbia, Álvaro Uribe, e se reuniu no Palácio do Eliseu com os filhos de Betancourt, Mélanie e Lorenzo, e com a irmã dela, Astrid, pediu às Farc que desista de "seu absurdo combate".

Já o chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, enviou telegramas de felicitação a Uribe e aos familiares da franco-colombiana.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, felicitou Uribe, "um líder forte", durante uma conversa telefônica anunciada pelo porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe.

Em resposta, Uribe agradeceu Bush pelo apoio e a confiança depositada no Governo da Colômbia.

Na Argentina, a presidente Cristina Fernández classificou como uma "vitória da vida e da liberdade" o resgate dos seqüestrados.

Além disso, dedicou palavras especiais a Betancourt, transformada em símbolo de todos os reféns.

Outro presidente sul-americano, o boliviano Evo Morales, disse que a libertação da ex-candidata à Presidência é "importantíssima para a busca da paz e de acordos entre as Farc e o Governo da Colômbia".

Morales atribuiu a libertação dos 15 reféns a um possível acordo entre as Farc e o Executivo de Uribe, apesar de isso não ter sido confirmado por nenhuma das partes e de o Governo colombiano ter dito que a soltura foi possível graças a uma infiltração de seus militares em uma frente da guerrilha.

Já o Governo chileno destacou a libertação como um passo em direção a "um processo significativo contínuo", até à libertação "da paz permanente" na Colômbia, "um país irmão, tão próximo ao Chile".

O chanceler chileno, Alejandro Foxley, reiterou ainda a condenação do Executivo ao uso político do seqüestro e enviou uma mensagem de "solidariedade" aos que ainda permanecem seqüestrados pela guerrilha colombiana.

No Equador, o ministro da Defesa, Javier Ponce, se disse "emocionado" e "aliviado" com a soltura dos 15 reféns. Porém lamentou o fato de o "resgate violento" não ter acontecido no âmbito de um acordo de paz com as Farc que dê uma "solução integral" ao conflito.

Por sua vez, o ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez Bonilla, que foi libertado em fevereiro após quase sete anos em poder das Farc, reconheceu "publicamente o esforço do presidente Uribe e das Forças Armadas" colombianas.

O ex-congressista, que após sua libertação criticou a política de "segurança democrática" do presidente Uribe, admitiu hoje que a insistência do Governo em resgatar os seqüestrados das Farc foi positiva.

Mediador entre o Governo colombiano e as Farc, Carlos Lozano se referiu à libertação como "muito importante" e pediu à guerrilha que reflita sobre "todos os golpes que recebeu ultimamente" e se abra "à possibilidade de uma troca humanitária ou de uma saída política".

Na Espanha, o embaixador da Colômbia Carlos Rodado Noriega disse hoje que o resgate comandado pelo Exército colombiano é uma "alegria" que seu país "compartilha com todo o mundo" e um feito que demonstra "o êxito da política de segurança" do Governo de seu país.

Nas ruas das principais cidades colombianas, a população manifestou sua alegria com gritos e buzinaços.

A Anistia Internacional (AI) também comemorou a libertação dos reféns, ocasião em que pediu às Farc que libertem os outros seqüestrados "imediata e incondicionalmente". EFE ar/sc

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