Isabel Saco Genebra, 25 jun (EFE).- Todos os países devem assumir compromissos na luta contra a mudança climática, mas sem negar a oportunidade às nações pobres de se desenvolverem economicamente, e aplicando o princípio de que quem polui mais deve pagar mais, disseram hoje os líderes mundiais reunidos em Genebra.

O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, afirmou que a mudança climática é um problema global - amplamente reconhecido com base em dados científicos - "que só terá solução se todo o mundo participar".

No entanto, Solana reconheceu que não se pode pedir que todos os países assumam o mesmo nível de responsabilidade, de modo que as nações que mais poluíram no passado ou que continuam fazendo devem assumir compromissos maiores.

"Essa diferenciação é importante", declarou o chefe da diplomacia da UE durante um debate com o economista americano Jeffrey Sachs, na reunião anual do Fórum Global Humanitário, do qual participam representantes de Governos e do setor privado de dezenas de países.

Sachs reconheceu que é imperativo respeitar essa diferença entre os países, mas destacou que as nações emergentes que se tornaram grandes emissoras dos gases que intensificam a mudança climática "devem aceitar contribuir" significativamente.

Nesse sentido, Sachs advertiu de que os Estados Unidos nunca aceitarão uma regra internacional sobre mudança climática se a China não decidir cooperar ativamente.

O economista disse que essa promessa é válida além do resultado das eleições de novembro nos EUA, considerado o maior poluidor do mundo e que se negou a ratificar o Protocolo de Kioto, destinado a reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa.

A comunidade internacional se prepara agora para negociar um novo tratado que substituirá o Protocolo de Kioto após 2012 e cuja adoção está prevista para o próximo ano em uma conferência internacional na Dinamarca.

A China e outras economias emergentes defendem que os países industrializados e com maior responsabilidade histórica pela mudança climática são os que devem pagar agora pela poluição que causaram, enquanto eles devem respeitar seu direito ao crescimento econômico.

No entanto, Sachs admitiu que "o caminho também não é asfixiar as economias em desenvolvimento", mas fazer com que seu crescimento se baseie em tecnologias que respeitem o meio ambiente que os países ricos deverão fornecer ao mundo em desenvolvimento.

Neste ponto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), Rajendra Pachauri, sugeriu a criação de uma "forma inteligente de tributação" para financiar a luta contra a mudança climática.

Pachauri também pediu o "ajuste" da pesquisa científica às necessidades dos países mais pobres.

Durante as diversas exposições de argumentos, os participantes concordaram em que não há dúvidas de que o mundo enfrenta uma crise real como conseqüência da mudança climática.

A situação, segundo eles, se agravará em decorrência do crescimento demográfico e da escassez cada vez maior de recursos como a água, as terras férteis e fontes de energia.

Calcula-se que a atual população mundial, que supera os 6,4 bilhões de habitantes, aumentará 2,5 bilhões nos próximos 40 anos e a grande maioria deles deve nascer nos países em desenvolvimento.

Os sistemas sociais e a economia atual já são considerados incapazes de conduzir esses números, e o problema será agravado pelas dificuldades de acesso à água potável e pelo aumento dos fluxos migratórios, segundo vários participantes.

O presidente do Fórum Humanitário Mundial e ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que existem soluções viáveis, mas lembrou que todas elas precisam de dinheiro para sem aplicadas.

Por isso, Annan afirmou que um dos maiores desafios atuais é encontrar fontes sustentáveis de financiamento. EFE is/wr/db

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