Líderes latino-americanos querem cooperação em combate às drogas

Cartagena (Colômbia), 31 jul (EFE) - Os Governos da República Dominicana e da Colômbia renovaram hoje, em nome de suas regiões, a exigência de que a comunidade internacional assuma o princípio da responsabilidade compartilhada na luta contra o tráfico de drogas.

EFE |

O combate ao narcotráfico é "uma responsabilidade comum e compartilhada", reiterou o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, na abertura do encontro que reúne vice-ministros de Relações Exteriores da América Latina e do Caribe.

A reunião faz parte da chamada Cúpula Regional sobre Drogas, Segurança e Cooperação do Caribe, América Central, Colômbia, México e Venezuela, que começou na quarta-feira em Cartagena com a presença de delegações de 24 países.

O encontro terminará amanhã com a Cúpula formal, a qual assistirão os presidentes de El Salvador, Elías Saca; Guatemala, Álvaro Colom; Panamá, Martín Torrijos; República Dominicana, Leonel Fernández; México, Felipe Calderón; Venezuela, Hugo Chávez, e Colômbia, Álvaro Uribe.

Os sete governantes assinarão a chamada Declaração de Cartagena e um plano de ação que, como complemento, incluirá pela primeira vez o compromisso da região de fazer um acompanhamento da luta antidrogas na bacia do Grande Caribe, à qual pertencem todos os países representados na reunião.

Estes países são Antígua e Barbuda, Barbados, Belize, Dominica, Bahamas, Costa Rica, Cuba, Granada, Jamaica, Nicarágua, Guiana, Haiti, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname, e Trinidad e Tobago, sem contar aqueles cujos presidentes estarão na Cúpula.

O chanceler colombiano expressou que, como responsabilidade compartilhada, o combate contra o narcotráfico "exige um enfoque multilateral, integral e equilibrado".

Além de "estratégias de cooperação efetivas, eficazes e imediatas que fortaleçam a capacidade operacional e de resposta de nossas autoridades democráticas competentes", acrescentou Bermúdez ao concordar em sua mensagem com a representante da delegação da República Dominicana.

Desde Santo Domingo, onde em março de 2007 foi realizada a primeira Cúpula Regional, pede-se a responsabilidade compartilhada, disse a subsecretária de Estado para Assuntos de Política Exterior dominicana, Alejandra Liriano.

Neste contexto, a funcionária lamentou que a ajuda internacional para o Caribe não tenha sido mantida no nível do crescente problema do narcotráfico pela região.

"O paradoxo é que enquanto o Caribe recebeu o impacto dos grandes fluxos de droga, a cooperação internacional diminuiu de maneira significativa nos últimos anos", disse Liriano ao se referir a estatísticas e registros internacionais sobre o tráfico de drogas pela bacia.

O relatório de 2007 elaborado pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) mostra que 88% da cocaína que chega aos Estados Unidos passam pela América Central e que 40% do alcalóide que entra na Europa fazem pelo Caribe.

O mar é onde acontecem estas operações, montadas para transferir as cerca de 600 toneladas de cocaína produzida por ano pela Colômbia, segundo os mais recentes números do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC).

O transporte de drogas por mar é "um dos assuntos de maior preocupação para nossa região", considerou o chanceler colombiano, que lembrou que "cerca 55% da cocaína que anualmente se produz e sai da América do Sul com destino principal aos Estados Unidos circula pelo corredor marítimo denominado México-América Central".

"Este alarmante fato ressalta a magnitude do problema e a urgência de se fortalecer, de acordo com cada uma de nossas legislações internas, a cooperação entre as autoridades judiciais, policiais e demais entidades", ressaltou Bermúdez. EFE jgh/rb/db

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