Líderes europeus pedem regras sobre pagamentos de bônus

Uma carta conjunta assinada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defende que os países dos G20 (o grupo das 20 nações mais ricas do mundo) adotem regras compulsórias para regular o sistema bancário em relação ao pagamento de bônus a executivos. A carta assinada pelos líderes das três maiores economias da Europa foi divulgada nesta quinta-feira, um dia antes do encontro de ministros das Finanças do G20, em Londres, e foi endereçada ao primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, que ocupa a Presidência rotativa da União Europeia.

BBC Brasil |

"A remuneração variável, incluindo bônus, deve ser mantida em um nível apropriado em relação a remunerações fixas e devem depender a performance do banco, da unidade de negócios e de indivíduos", o afirma o documento.

A carta diz também que "atividades especulativas que constituem um risco para a estabilidade financeira também devem ser desencorajadas".

"Atitudes condenáveis"
"O G20 deve transformar estes princípios em regras compulsórias para instituições financeiras com atividades complexas e arriscadas, além de garantir que existam sanções em nível nacional para os bancos que não cumpram estas regras", diz a carta, que critica o fato de algumas instituições financeiras estarem tomando atitudes "condenáveis".

"Nossos cidadãos estão profundamente chocados com a retomada de práticas condenáveis, apesar de o dinheiro dos contribuintes ter sido usado para ajudar o setor financeiro no auge da crise".

"A redução das tensões financeiras fez com que algumas instituições imaginassem que elas poderiam voltar aos mesmos modelos de ação dominantes antes da crise. Mas esta não é uma opção".

No documento, os líderes europeus afirmam que a crise financeira ainda não chegou ao fim e que estratégias coordenadas são necessárias para evitar novas instabilidades.

Eles pedem ainda que os chefes de Estado do G20, que se reunirão na cidade americana de Pittsburgh nos próximos dias 24 e 25 de setembro, analisem meios para limitar o pagamento de bônus a executivos de bancos, além de sanções em nível nacional às instituições financeiras que desobedecerem estas regras.

Surpresa britânica
De acordo com a correspondente para assuntos europeus da BBC, Oana Lungescu, esperava-se que apenas Merkel e Sarkozy assinassem o documento.

Mas, em uma atitude aparentemente para sinalizar uma unidade do bloco em relação aos bônus, a carta também foi assinada pelo premiê britânico, Gordon Brown.

O governo francês propõe ainda uma série de limites obrigatórios aos bônus, mas a Grã-Bretanha se opõe a cortes obrigatórios nestas recompensas, com o premiê Gordon Brown defendendo pagamentos baseados em êxitos de longo-prazo.

De acordo com Lungescu, Brown se opõe a qualquer limitação obrigatória de bônus que possa comprometer o funcionamento das instituições financeiras de Londres.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, classificou o apoio de Brown ao documento como uma "pequena surpresa" e afirmou que "até os ingleses entendem que temos que regular, impor limites".

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