Vários líderes da União Européia (UE) classificaram, nesta sexta-feira, de desproporcionada a reação do presidente venezuelano Hugo Chávez, à nova lei européia contra a imigração ilegal, considerando que é fruto do desconhecimento e da precipitação.

Chávez ameaçou na quinta-feira não enviar mais petróleo e impedir investimentos em seu país da parte das nações européias que decidirem aplicar a lei sobre a expulsão de imigrantes em situação irregular, aprovada na quarta-feira pelo Europarlamento.

"Pelo menos nosso petróleo não deve chegar a esses países europeus", assegurou Chávez.

"Talvez convenha explicar a ele exatamente em que consiste essa diretriz", afirmou nesta sexta-feira o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ao término de uma cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos 27 em Bruxelas.

O espanhol considerou que Chávez desconhece as implicações da normativa de repatriação.

"O ministro espanhol das Relações Exteriores (Miguel Angel Moratinos) dará as explicações, se necessário, para que a relação da Europa com todos os países da América Latina continue sendo positiva", acrescentou o chefe de governo.

Outro espanhol, o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, classificou de "totalmente desproporcionada" a ameaça de Chávez.

Por sua vez, o premier da Eslovênia, Janez Jansa, que preside a União Européia até o fim do mês, também seguiu essa linha.

"As primeiras reações talvez tenham sido exageradas, vindas de quem não entendeu o que a lei significa. Alguém que leu uma matéria de jornal e não entendeu realmente que tipo de ameaças isso pode representar", afirmou.

A ameaça de Chávez em relação ao petróleo não pareceu impressionar os dirigentes europeus.

"Como é bem sabido, há o paradoxo de que a Venezuela fornece petróleo principalmente aos Estados Unidos. Mas, se decidirem bloquear o fornecimento, para nós não representará uma grande mudança", ressaltou o ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg.

Segundo os últimos dados disponíveis da Comissão Européia, a parcela representada pelo petróleo venezuelano no total das importações da União Européia foi de apenas 0,9% em 2005.

Chávez também assegurou na quinta-feira em Caracas que, assim que a Europa decidir devolver para seus países de origem os imigrantes ilegais, os países latino-americanos também poderão decidir "pelo retorno dos investimentos europeus".

"Pelo menos na Venezuela. Aqui não nos faz falta (...) Vamos revisar os investimentos que têm aqui para aplicar também uma lei do retorno. Levem seus investimentos para lá!", declarou Chávez.

O Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira, em Estrasburgo (leste da França), a polêmica lei de expulsão de imigrantes clandestinos da União Européia (UE), que estabelece um período de detenção de até 18 meses e uma proibição de cinco anos para voltar à Europa.

A Espanha possui grandes investimentos na Venezuela, onde está presente nos setores bancário, energético, de hotelaria, de gestão de água e editorial, segundo dados da Representação Econômica e Comercial da Espanha em Caracas.

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